Acabar com as dores nas costas

Horas e horas sentado à secretária, em frente a um computador, contribuem para que possa vir a queixar-se de dores nas costas. Os hábitos sedentários que os tempos modernos impuseram e a pouca disponibilidade para compensar esses períodos com exercício físico, assegurando a necessária tonificação dos músculos, estão a deixar marcas dolorosas na coluna dos portugueses.
Uma situação que se agrava especialmente no sexo feminino por ter mais propensão para a osteoporose após a entrada na menopausa.

Adotar posturas corretas nas tarefas do quotidiano é meio caminho andado para não sofrer de dores nas costas. E pode começar precisamente pelo trabalho sentado à secretária, se for essa a sua ocupação durante boa parte dos seus dias.

“Levantar-se de duas em duas horas é crucial para os discos mudarem de posição. Estar na mesma posição, sentado, durante mais de duas horas é extremamente prejudicial para a coluna e será ainda mais agravado se usar um computador portátil, que obriga a um esforço mais acentuado da cervical”, explica Carlos Bordalo Amado, coordenador da Unidade de Ortopedia e Cirurgia da Coluna do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa.

“Vejo também que muitas pessoas não aproveitam corretamente a ergonomia das cadeiras e sentam-se na ponta do assento, o que deve ser evitado”, reforça ainda o ortopedista, lembrando que os cotovelos devem manter-se fletidos, os antebraços devem estar na horizontal e o monitor do computador posicionado à altura dos olhos do utilizador.
Levantar pesos do chão é a tarefa que mais sobrecarrega as costas dos portugueses, que se esquecem de o fazer com os joelhos fletidos e as costas direitas. Pode parecer pouco confortável mas é uma questão de hábito com reflexos muito positivos na coluna vertebral. “Sigam o exemplo dos halterofilistas, é exatamente assim que se devem levantar quaisquers pesos”, adverte Carlos Bordalo Amado.

Dificuldade em andar é sinal de alerta

Dar a devida atenção aos pequenos traumatismos que afetem a coluna é extremamente importante para evitar uma escalada de problemas.
Nas mulheres que sofrem de osteoporose, a ocorrência de uma fratura numa vértebra aumenta para 30% a probabilidade de sofrerem uma nova fratura e essa hipótese ultrapassa os 60% após a segunda fratura. “E temos muitos casos em que o doente tenta compensar com a bacia o facto de ter o centro de gravidade da sua marcha alterado. Nesses casos é habitual haver queixas de dificuldade em andar, que podem obrigar as ancas e os joelhos a uma flexão forçada de modo a tentar recentrar o centro de gravidade da coluna, alinhando-a corretamente”, explica o ortopedista. Em certos casos poderá ser necessário recorrer a cirurgias minimamente invasivas, mas em situações avançadas e graves é preciso recorrer a intervenções mais invasivas. “Há que eliminar o velho tabu de que as operações à coluna podem deixar as pessoas em cadeiras de rodas porque é mesmo lá que essas pessoas vão ficar se não forem submetidas, em tempo útil, à cirurgia que necessitam”, sublinha Carlos Bordalo Amado.

Caminhar 30 minutos por dia, evitar o consumo de tabaco e a obesidade além de manter uma alimentação rica em produtos lácteos são medidas preventivas que pode tomar já para salvaguardar a saúde das suas costas. E se a coluna estiver saudável, qualquer prática desportiva é recomendável. “Antes acreditava-se que a natação era o melhor desporto para as costas, mas na verdade esta prática não satisfaz as necessidades de tonificação muscular. A hidroginástica é mais indicada, tal como a utilização de aparelhos de ginásio, desde que bem orientados”, diz o médico.

Mochilas com peso a mais…

Pais e educadores há muito que protestam contra o excesso de peso que as crianças transportam regularmente nas suas mochilas escolares, sobrecarregando as suas colunas em crescimento. Ainda assim, Carlos Bordalo Amado não assume uma posição demasiado alarmista. “A escoliose nas crianças não é provocada por más posturas nem por mochilas pesadas. Felizmente, as crianças mexem-se o suficiente para compensar esse esforço. mas é claro que carregar mochilas demasiado pesadas não faz bem seja a que coluna for e esse hábito deve ser evitado.”

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde, nem a consulta de um médico e/ou especialista.
Precisa de ajuda? Nós
ligamos
grátis!