Aleitamento materno reduz o risco de leucemia na infância

Desde 1991 que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF têm vindo a empreender um esforço mundial no sentido de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno. Uma das recomendações desta entidade é precisamente que os bebés devem beneficiar de aleitamento materno exclusivo até, no mínimo, aos 6 meses. Ou seja, até essa idade, o bebé deve ingerir apenas leite materno. Os benefícios do leite materno, já comprovados cientificamente, incluem a prevenção de infeções, diabetes e obesidade. Por outro lado, amamentar traz também benefícios para a mãe: ajuda-a a recuperar o peso que tinha antes da gravidez, reduz o risco de cancro da mama, cancro do ovário e de osteoporose.

 

Leucemia na infância e aleitamento materno

O cancro infantil é uma das principais causas de mortalidade entre crianças e adolescentes no mundo desenvolvido. De todos os tipos de cancro infantil, a leucemia é responsável por 30%, de acordo com o estudo publicado no Journal of American Medical Association. Sabe-se que a causa é genética, mas pouco ainda se conhece sobre os fatores que determinam a ocorrência das mutações ou que fazem com que estas deflagrem a doença.

 

A investigação

A investigação que destacamos sobre este tema envolveu a busca minuciosa em artigos publicados entre janeiro de 1960 e dezembro de 2014, o que permitiu pesquisar a associação entre o aleitamento materno e a leucemia infantil. A pesquisa acabaria por identificar 25 estudos relevantes, dos quais 18 preencheram todos os critérios de inclusão e deu origem ao estudo de Efrat L. Amitay, da Universidade de Haifa, em Israel. A meta-análise dos 18 estudos indicou que a amamentação por um período de 6 ou mais meses está associada a uma diminuição de risco de leucemia infantil de 19% face às crianças que não foram amamentadas ou que foram amamentadas por menos tempo. Assim, as crianças que foram alimentadas com leite materno por pelo menos 6 meses poderão ter um risco menor de desenvolver leucemia na infância em relação àquelas que não foram amamentadas com leite materno.

 

Mecanismos biológicos do leite materno

A explicação poderá estar no facto do leite materno conter anticorpos produzidos pela mãe que promovem uma comunidade saudável de bactérias no intestino das crianças e influenciam o desenvolvimento do sistema imunológico. Outra possibilidade apontada pelos especialistas é que o leite materno mantém os níveis de pH no estômago das crianças num patamar que promove a produção de proteínas benéficas chamadas HAMLET, que podem ter a capacidade de destruir células cancerígenas. O leite materno também contém células estaminais, células estas que possuem propriedades similares às células estaminais de embriões e que podem ajudar o sistema imunológico na luta contra o cancro.

A amamentação é muito benéfica para o bebé e, de acordo com esta nova pesquisa, é detentor da capacidade de reduzir o risco de leucemia na infância. Esta é uma descoberta imensamente valiosa e mais uma razão para, se puder, amamentar o seu bebé durante, pelo menos, os 6 primeiros meses de vida.

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