Alimentação: porque somos (mesmo) o que comemos

Sabe que para produzir um quilo de carne bovina são necessários 15 400 litros de água? E que para garantir um crescimento rápido de frutas e vegetais, a agricultura convencional adiciona azoto às águas de cultura, o que faz aumentar a quantidade de água nos alimentos, fazendo com que estes fiquem com uma menor concentração de nutrientes benéficos para a nossa saúde geral?

Mas talvez não saiba que a alimentação e comer de uma forma saudável, conhecer a proveniência dos alimentos, e, já em casa, confecioná-los da forma mais saudável são formas de preservar, simultaneamente, a saúde e o ambiente. Porque afinal somos mesmo o que comemos.

Os benefícios da agricultura biológica

Com um sistema de produção que não recorre a pesticidas, adubos químicos ou herbicidas, a agricultura biológica evita a poluição de solos e lençóis freáticos, garante a rotatividade de culturas e respeita os ciclos naturais.

No prato, as vantagens continuam. De acordo com um estudo publicado no journal Agronomy for a Sustainable Development, os produtos biológicos contêm um índice superior de vitaminas, ácidos gordos, ómega 3, fenóis e polifenóis, tendo também mais minerais como o cálcio, o magnésio e o ferro. Além disso, Amílcar Duarte, agrónomo da Universidade do Algarve, numa entrevista dada em 2011 à revista Visão, apontava ainda outras vantagens: “Na agricultura biológica existe maior percentagem de polpa e menor de casca”.

Os alimentos provenientes da agricultura biológica são assim mais concentrados, o que também é importante para a manutenção de um regime alimentar equilibrado. No mesmo artigo, Paula Ravasco, investigadora na área da alimentação, afirmava:  “Os recetores do paladar são influenciados pelo facto de os alimentos biológicos serem mais concentrados do que os convencionais. O paladar, ao ser estimulado pelo sabor intenso, transmite-nos a sensação de saciedade rapidamente, fazendo com que se coma menos quantidade”.

Consuma alimentos de produtores locais ou produza-os

A jardinagem e a hortofloricultura são excelentes hobbies e uma boa forma de combater o stress. Basta um quintal, um canteiro ou alguns vasos numa varanda para criar uma pequena horta caseira que pode garantir o fornecimento das aromáticas e saladas do próximo verão. A produção é caseira, livre de químicos e totalmente controlada por si.

Outra forma de assegurar uma alimentação saudável é a preferência por produtores locais. Dessa forma pode conhecer e acompanhar o processo de produção, está a fomentar a economia local e preserva o ambiente, ao evitar o gasto de recursos associados ao transporte. Ao mesmo tempo, devemos privilegiar a fruta e legumes da época, pois estaremos a tirar partido dos seus sabores e nutrientes, além de que existe uma melhor relação entre qualidade e preço.

Confeção saudável é essencial

Escolher alimentos mais nutritivos e saudáveis é uma boa opção. Mas há ainda que ter atenção à escolha dos recipientes para preparar as refeições. Quando vai aquecer ou descongelar comida no micro-ondas, use recipientes de material adequado a este uso. Se usar plástico, certifique-se de que este é próprio para o uso em microondas: caso contrário, embora não derreta ou se comporte de forma “estranha”, o plástico poderá libertar toxinas.

No forno, o pirex é dos materiais mais seguros e o silicone também não representa perigo, já que não interage com os alimentos, mesmo os de elevada acidez.

No fogão é desaconselhado o uso de alumínio, teflon– se a superfície do recipiente estiver danificada – cobre e barro vidrado. Todos estes materiais, depois de aquecidos e em contacto com os alimentos, libertam substâncias nocivas que se vão acumulando no organismo.

Esteja atento ao açúcar escondido

Vários estudos sublinham a forte relação entre o consumo de açúcar e o aumento do risco de doenças crónicas não transmissíveis como a obesidade, as cáries dentárias, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Exemplo disso é um estudo divulgado em novembro de 2016 na publicação científica JAMA Internal Medicine. Esta pesquisa acompanhou, ao longo de 15 anos, o consumo de açúcares adicionados (aqueles que vêm integrados nos produtos que consumimos diariamente, como iogurtes, refrigerantes, entre outros) em dois grupos de pessoas, verificando que aquelas cujo 25% do aporte diário de calorias eram açúcares tinham o dobro da probabilidade de virem a morrer de doença cardíaca – quando comparadas com o grupo cuja dieta diária incluía menos de 10% de açucares adicionados.

Por norma, o açúcar presente em alimentos como o mel, a frutas, os laticínios e os cereais é o suficiente para satisfazer as necessidades do organismo. Assim, evite adicionar açúcar aos alimentos e esteja atento aos rótulos dos produtos: um “inocente” chá gelado de 600 ml contém 32 gramas de açúcar e um iogurte 0% de gordura pode chegar aos 16 g.    

Conclusão

Refletir um pouco naquilo que come todos os dias pode ser encarado como um investimento. Opte por produtos biológicos, confecione-os de forma saudável e, no supermercado, leia sempre os rótulos dos produtos que compra, estando atento aos açúcares adicionados. O tempo que “perder” nesta missão é aquele que a sua saúde – e a da sua família – vai ganhar. E o ambiente também.

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