Amamentar: conselhos práticos

Amamentar pode ser um desafio

Em teoria, todas as mães podem amamentar, sobretudo se lhes for dado o apoio adequado, conselhos e encorajamento, assim como a assistência prática para resolver quaisquer problemas. Estudos como o do Instituto Lamaze (2003) têm demonstrado que o contacto da pele entre mãe e bebé, a frequente e irrestrita amamentação para garantir a continuidade da produção de leite e o ajudar com o posicionamento e a fixação do bebé pode aumentar as hipóteses do ato de amamentar ser bem-sucedido.

E não tem só benefícios para o bebé. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a amamentação também contribui para a saúde materna já que ajuda a reduzir o risco de hemorragia pós-parto. A curto prazo, a amamentação atrasa o retorno à fertilidade e, a longo prazo, reduz a diabetes tipo 2 e cancro da mama, do útero e ovário. Estudos como o  “Breastfeeding is negatively affected by prenatal depression and reduces postpartum depression”, de Bárbara Figueiredo, da Universidade do Minho, também descobriram uma associação interessante entre a cessação precoce da amamentação e depressão pós-natal nas mães.

Há posições ideais para amamentar?

A amamentação, sobretudo quando falamos no primeiro filho, não deixa de ser um período de adaptação tanto para a mãe como para o bebé pelo que o ideal será escolher um local tranquilo e confortável para ambos. Muitos especialistas defendem que a posição ideal para a mãe… é a mais confortável, desde que ela consiga alimentar o bebé adequadamente. No entanto, há algumas formas, chamemos-lhes “clássicas”, para amamentar um recém-nascido:

  • Deitada de lado na cama: dar a mama que está mais próxima do colchão.
  • Sentada com o bebé de frente: colocar o bebé na horizontal e encostar a barriga na do recém-nascido, segurando-o com os dois braços.
  • Sentada com o bebé de lado: colocar o bebé na horizontal, mas passá-lo por baixo de um braço e dar a mama que estiver mais perto.

Cuidados a ter

Neste período as mães estão especialmente atentas à sua própria alimentação já que estão diretamente a contribuir para manter a boa saúde do filho. Ainda assim, partilhamos seis conselhos que não devem ser descurados:

  • Os especialistas recomendam a ingestão de água (1,5 l – 2 l por dia) e sumo natural de fruta ou leite (1 litro ou 8 iogurtes de 125 ml).
  • Não será conveniente beber mais do que duas chávenas de café por dia porque a cafeína passa para o leite e pode provocar irritação ou nervosismo no bebé.
  • Realize um registo escrito diário dos alimentos e bebidas que ingere e dos sintomas que o seu bebé apresenta 4 a 6 horas após a sua refeição. Assim, se suspeitar que algum alimento lhe provoca desconforto, pode retirá-lo da sua alimentação.
  • Bebidas alcoólicas e nicotina são substâncias a evitar pois, tal como o café, passam para o leite e interferem com o seu fluxo.
  • Mantenha uma dieta nutritiva com cinco ou mais porções de frutas e legumes todos os dias, para além de dever evitar alimentos muito calóricos, ricos em gordura ou açúcar.
  • Volte ao exercício físico. Se fizer um pouco todos os dias vai sentir-se muito melhor e mais disposta

Os “custos” de amamentar

Durante a amamentação é verdade que podem surgir alguns problemas, nomeadamente dor nos mamilos, especialmente durante as primeiras semanas de amamentação. Muitas vezes, uma simples mudança na posição do seu bebé durante a amamentação ajuda a aliviar esse incómodo. A pele excessivamente seca ou húmida, muitas vezes causada pelo uso de sutiãs feitos de tecidos sintéticos, pode também causar desconforto. O uso de sabonetes ou soluções que removem os óleos naturais da pele podem igualmente causar um ressecamento excessivo da pele. Claro que, depois, a mastigação ou mordida dos mamilos feita pelo bebé também pode não ajudar.

Outro problema bastante recorrente é a distensão da mama ou seja, a congestão dos seus vasos sanguíneos que provoca que as mamas fiquem inchadas, duras e doridas. Para aliviar, poderá sempre espremer o leite manualmente ou com uma bomba. Banhos quentes e compressas frias também ajudam.

Infeções da mama (mastites) são bastante recorrentes durante o período de amamentação, causando dores musculares, febre e uma área vermelha, quente e sensível. Na maioria das vezes, dizem os especialistas, ocorrem em mães que estão particularmente sujeitas a situações de stressadas, exaustas, que têm rachaduras nos mamilos, ductos lácteos obstruídos, distensão da mama, que omitiram algumas amamentações, ou que usam sutiãs apertados.

O melhor, caso se sinta particularmente desconfortável, será mesmo consultar um especialista para poder usufruir da melhor forma desta experiência que é amamentar, mantendo como certo que esta prática vai promover junto do bebé vantagens a todos os níveis, nomeadamente na redução da hipótese de mortalidade infantil, e também contribuir para a saúde materna já que ajuda a reduzir o risco de hemorragia pós-parto.

Fontes:
Organização Mundial da Saúde
UNICEF
Plataforma Leite Materno
Plataforma educare.pt (nutricionista Paula Veloso)
Plataforma http://www.farmaciasaude.pt/

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde, nem a consulta de um médico e/ou especialista.
Precisa de ajuda? Nós
ligamos
grátis!