“Consegui ser mãe”

Quando decidi ser mãe comecei a fazer todos aqueles planos que as futuras mamãs fazem, de se iria ter um menino, uma menina… No entanto, depois de um ano a tentar, não conseguia engravidar. E aí pensei que poderia ter algum problema.

Fui ao médico e comecei a fazer testes. Contudo, não era possível descobrir a causa para a minha suposta infertilidade.

Depois de 8 anos a fazer tratamentos de fertilização (medicação para a estimular a ovulação, fertilizações e ICSI- Intracytoplasmic Sperm Injection), que são extremamente difíceis, tanto a nível físico como psicológico, e que nos provocam um desgaste imenso enquanto mulheres, consegui finalmente obter um diagnóstico.

O médico aconselhou-me a fazer um exame denominado histeroscopia (procedimento endoscópio utilizado para avaliar a cavidade uterina) de forma a analisar o problema. O resultado ditou que eu tinha apenas um ovário a funcionar e uma trompa de Falópio obstruída.

Para além disso, o meu útero tinha muito pouco endométrio – membrana mucosa que reveste o interior do útero – e por isso a nidação dos embriões só seria possível se colocados em locais específicos com mais endométrio (a nidação consiste na implantação do embrião no endométrio). Nessa altura fiquei muito feliz, pois ao menos já era possível saber qual o meu problema e talvez encontrar uma solução.

Depois dos tratamentos propriamente ditos seguia-se a pior parte, a tristeza de descobrir que mais uma vez o tratamento não tinha resultado numa gravidez, o que criava em mim uma frustração e uma sensação de impotência face ao problema.

Mas consegui sempre encontrar forças para continuar. Ao meu lado tive sempre o meu marido. Era ele que me animava nos momentos mais difíceis. Ele conseguia sempre transmitir-me confiança e a certeza de que iriamos conseguir alcançar o nosso objetivo – ser pais! Foi nele que encontrei sempre a vontade de não desistir, ainda que por vezes fosse bastante difícil.

Os primeiros tratamentos que fiz consistiam na toma de comprimidos para potenciar a ovulação. Sem obter resultados, passei para as fertilizações e finalmente para a ICSI- Intracytoplasmic Sperm Injection (injeção intracitoplasmática, que se inclui no tratamento da fecundação in vitro).

No último tratamento a que fui submetida foram colocados dois embriões por fertilização e dois embriões por ICSI (Intracytoplasmic Sperm Injection). Ambos os processos resultaram, o que originou uma gravidez trigemelar.

Relembro o dia em que descobri que estava grávida, foi o dia mais feliz da minha vida. Quem me deu a notícia foi uma grande amiga, que por sinal é enfermeira na maternidade Júlio Dinis.

Recordo, como se fosse hoje, quando ela me ligou e disse: “Minha querida, tu não estás grávida, estás gravidíssima!”.

E estava… de trigémeos. Senti uma emoção que não sei descrever. Chorei de alegria durante horas e liguei ao mundo inteiro a contar a boa nova. Afinal, era algo que desejava há muito tempo e naquele dia senti que ia conseguir – ia ser mãe.

Nem tudo foi fácil. Tive uma gravidez de risco, pelo que estive deitada durante 34 semanas, em repouso total, mas tudo correu da melhor forma. Aos 33 anos tive três filhos lindos (duas meninas e um menino) e saudáveis.

Depois dos bebés nascerem, o meu médico disse-me que não teria de me preocupar com a contraceção, pois engravidar naturalmente seria tão difícil como ganhar o euromilhões. Pois, a verdade é que ganhei mesmo o “euromilhões”… Um ano depois de os trigémeos nascerem descobri que estava grávida, novamente. Fiquei em choque, mas feliz!

Ao contrário da anterior, esta gravidez foi fantástica e tranquila, da qual nasceu um menino lindo e rechonchudo.

Para lidar com este problema o conselho que deixo é, acima de tudo, ter muita esperança. É importante falar do problema com naturalidade, conversar com pessoas que tenham passado pelo mesmo e ter um companheiro ao nosso lado que nos ame e que tenha muita paciência.

 

Testemunho:
Marta Viana, 43 anos, Lisboa

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde, nem a consulta de um médico e/ou especialista.
Precisa de ajuda? Nós
ligamos
grátis!