É possível viver bem com as alergias?

Hoje em dia já é possível apostar numa atitude preventiva em relação às alergias, principalmente aquelas que têm origem respiratória e que são as mais frequentes. “Uma em cada 3 pessoas sofre de rinite alérgica.”, explica Paula Leiria Pinto, imunoalergologista. Existem outros tipos de alergias, não menos importantes, como as cutâneas ou as alimentares. No entanto, muitas das alergias associadas às estações do ano são respiratórias, sendo também aquelas que mais cuidados de prevenção requerem. Para quem sofre de alergias crónicas, Paula Leiria Pinto refere que “é muito importante as pessoas acautelarem-se e apostarem numa prevenção séria”.

Prevenir as alergias, como?

A prevenção das alergias é, antes de mais, uma estratégia que tem de ser partilhada entre o especialista e o doente. Segundo Paula Leiria Pinto, “a prevenção passa não só por assegurar determinados cuidados gerais, como também pela medicação”. Se a pessoa sofre de alergias respiratórias, é recomendável que recorra ao médico ainda no inverno de forma a iniciar desde logo a medicação e os cuidados necessários antes da entrada na primavera. “A nossa função enquanto médicos é fazer com que as pessoas alérgicas consigam passar uma estação como a primavera sem problemas de maior. E possível passar bem, sem crises, caso todas as medidas preventivas sejam respeitadas e feitas com tempo” alerta a especialista.

Medidas gerais e medicação

Segundo a especialista, existem medidas gerais que podem ser respeitadas antes de se avançar para a medicação. “Antes de qualquer outra coisa, é importante evitarmos a exposição a algo que, à partida, já sabemos que nos fará mal. Os websites da rede de aerobiologia dão-nos as previsões exatas dos níveis de pólenes em cada dia. É uma boa ferramenta para as pessoas consultarem e tentarem proteger-se nessas alturas” assegura Paula Leiria Pinto.

Dentro de casa, há um mundo de medidas que se pode adotar para evitar as crises alérgicas. O pó, os ácaros, entre outras coisas. Facilmente se instalam no interior das habitações e tornam-se inimigos de quem tem alergias. Veja os truques que pode utilizar dentro de casa para evitar crises alérgicas.

  1. Para aumentar a proteção contra os ácaros, cubra o colchão com um resguardo específico.
  2. Tenha atenção aos aquecimentos. As lareiras também podem lançar muito fumo e provocam irritação.
  3. Areje sempre a casa. Se a sua casa estiver próxima de grandes redes viárias, o melhor é tentar arejar em alturas do dia que não estejam tão poluídas.
  4. Aspire a casa com um filtro específico de alta eficiência na remoção de partículas.
  5. Há muitas pessoas alérgicas ao pelo do gato. Normalmente a companhia dos gatos causa o exacerbar das queixas alérgicas. Se tiver sintomas constantes, é necessário fazer os testes para se certificar se é ou não alérgico ao pelo dos animais.
  6. O fumo do tabaco dentro de casa ou do carro é uma das coisas que mais desencadeia o processo alérgico. Paula Leiria Pinto diz que “nunca ninguém deve fumar no interior das casas e dos carros.”.
  7. A humidade deve ser controlada no interior da habitação. Não podemos viver sem humidade, mas também não reagimos bem à humidade excessiva. É importante estimular a ventilação com cuidado.

Outras recomendações passam por utilizar óculos quando estiver muito vento, evitar fazer exercício físico nas horas em que há maior nível de pólen no ar e mudar regularmente os filtros do ar do carro, de forma a garantir que o ar no interior da viatura está sempre limpo. “Se, mesmo depois de todos estes cuidados, não for possível reduzir a exposição, teremos de recorrer à medicação”, refere Paula Leiria Pinto, reforçando ainda que “existem várias formas de medicação que variam muito de caso para caso. Para que a medicação seja eficaz, é necessário que a pessoa procure o médico, para que identifique as suas alergias e seja então iniciado o tratamento.

Quando devemos preocupar-nos?

Nem sempre damos atenção a alguns sintomas que são importantes e que, segundo Paula Leiria Pinto, se podem confundir muitas vezes com sintomas normais de constipação. “Espirros que não passam, uma tosse, a arrastar-se durante muito tempo ou o pingo no nariz que insiste em ficar, muitas vezes são sintomas que se confundem com constipações, mas podem indicar que somos alérgicos a alguma coisa.” Estes são os principais sinais de alerta, mas há outros: “As crianças e os adultos devem ter uma vida normal e plena. Devemos fazer todas as atividades que são normais. Se por algum motivo temos alguma dificuldade ou algo que nos incomode, devemos consultar o médico” adverte a especialista, realçando que hoje em dia “há muito subdiagnóstico e subtratamento e é fundamental as pessoas estarem bem informadas sobre esta temática. Em qualquer sinal de alerta é preciso pedir ajuda e despistar se há realmente uma causa alérgica ou não”, conclui.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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