Os pulmões constituem o órgão principal do sistema respiratório. As trocas gasosas que acontecem na respiração têm lugar nos pulmões (o oxigénio que se encontra no ar passa para os glóbulos vermelhos e o dióxido de carbono faz o caminho inverso para o exterior). Quando inspiramos, o ar entra pelas fossas nasais, desce pela traqueia, e entra nos pulmões através dos brônquios (que se dividem em vias mais pequenas, terminando nos alvéolos – zona onde ocorrem as trocas gasosas).

As células do pulmão são as responsáveis pela constituição do tecido pulmonar. No seu estado normal, estas células crescem e dividem-se em novas células, formado-se à medida que vão sendo necessárias (processo chamado de regeneração celular).

Quando as células do pulmão envelhecem ou são danificadas, morrem naturalmente. O cancro surge quando as células perdem este mecanismo de controle, sofrendo alterações no seu genoma (DNA). Ao contrário do que acontece com as células normais, as células cancerígenas não morrem quando envelhecem, tornando-se patológicas.

Os tumores que têm início no pulmão, dividem-se em dois grupos principais: cancro do pulmão de não-pequenas células e cancro do pulmão de pequenas células (a determinação depende do aspecto microscópico das células), que se comportam de forma diferente no que respeita à forma como se desenvolvem e metastizam:

 

Cancro do pulmão de não-pequenas células

É o cancro mais frequente, correspondendo normalmente a 85% dos casos de cancro do pulmão. Este tipo de cancro do pulmão geralmente cresce e metastiza de forma mais lenta, comparativamente ao cancro de pequenas células.

Pode ter origem em diferentes tipos de células, podendo ser classificado nos seguintes subtipos:

Adenocarcinomas – representando 40% deste tipo de cancro.

Carcinomas pavimentosos, pavimento-celulares, epidermoides ou escamosos – que têm origem nas células das vias respiratórias, representando 20% dos casos.

Carcinomas de grandes células –mais raro, representando 3% dos casos.

 

Cancro do pulmão de pequenas células

Tem origem nas células presentes nos alvéolos, e corresponde a 15% do total de casos de cancro do pulmão. Este tipo de cancro normalmente cresce mais depressa e é mais provável que metastize para outros órgãos.

 

O cancro do pulmão constitui, desde há várias décadas, o tumor mais frequente no mundo. Representa 13% dos novos casos de cancro anualmente. Em Portugal, a sua incidência é cerca de 30 casos por 100.000 habitantes por ano.

O cancro do pulmão é também a causa mais frequente de morte por cancro, (representa quase 20% das mortes por esta doença).

Em Portugal, como no resto do mundo, a sobrevivência destes doentes é uma das menores entre todos os cancros.

 

Causas do Cancro do Pulmão

Apesar de ainda não ter sido possível encontrar as causas evidentes para o cancro do pulmão, são vários os fatores de risco conhecidos:

cancro do pulmão

Cancro no pulmão, com nódulo assinalado a vermelho.

Tabagismo – Entre 80 a 90% dos doentes com cancro do pulmão fumam ou já fumaram. Considera-se que o tabaco provoca 70% dos cancros do pulmão, sendo que apenas 20% dos fumadores desenvolvem cancro do pulmão. Das mulheres com cancro do pulmão 20% nunca fumaram.

  • Idade – Como em quase todos os cancros, a idade é outro fator de risco para o cancro do pulmão, cuja incidência média é de 71 anos. A incidência anual em Portugal, no que toca ao grupo etário entre os 70-74 anos, é de 200 casos por 100.000 habitantes.
  • Genética – A existência de agregação familiar de cancro do pulmão faz pressupor uma eventual base genética da doença (contudo este fenómeno pode dever-se a exposições ambientais semelhantes em indivíduos da mesma família).
  • Exposição ocupacional a substâncias cancerígenas – sobretudo em sectores como transformação e processamento de minerais, processamento de metais, indústria química e indústria da construção, incluindo a fabricação de materiais de construção.

 

Sintomas do Cancro do Pulmão

Os sintomas de cancro do pulmão não são exclusivos desta patologia, podendo aparecer igualmente noutras doenças.

Os sintomas principais são:

  • Pneumonia de difícil cura.
  • Dor torácica.
  • Dispneia (Falta de ar)
  • Hemoptises (Expetoração com sangue).

 

Tratamento do Cancro do Pulmão

Os exames utilizados mais frequentemente para o diagnóstico do cancro do pulmão são os exames de imagem como a radiografia, a Tomografia Axial Computorizada (TAC) e a Broncofibroscopia.

 

Caso estes exames conduzam à suspeita de cancro do pulmão, será necessário confirmar o diagnóstico através de uma biópsia pulmonar (recolha de fragmentos de tecido do pulmão), realizada através de uma broncofibroscopia ou em biopsia transcutânea dirigida por TAC .

Uma vez confirmado o diagnóstico, é necessário proceder-se ao estadiamento do cancro, isto é, avaliar se o cancro se disseminou para estruturas próximas ou distantes. O estadiamento permite determinar em que fase a doença se encontra, sendo essencial para a escolha do tratamento a efetuar.

Com base nos exames de diagnóstico efetuados, que podem incluir TAC, Cintigrafia Óssea, PET (tomografia de emissão de positrões) ou Ressonância Magnética, o estadiamento do cancro do pulmão de células não pequenas, pode ser classificado da seguinte forma:

Cancro oculto – as células são identificáveis analisando a expetoração, mas o cancro não é visível nos exames imagiológicos como a TAC ou outros;

Estadio 0 – cancro in situ, isto é, o cancro está confinado ao local em que apareceu, não se tendo disseminado para tecidos próximos.

Estadio I – O cancro do pulmão tem uma dimensão inferior a 5cm, invadiu o tecido mais profundo do pulmão mas sem afetar gânglios linfáticos próximos ou a parede torácica.

Estadio II – O cancro do pulmão tem uma dimensão inferior a 7cm e pode ter invadido os gânglios linfáticos adjacentes, ou tem uma dimensão inferior a 5cm mas já invadiu tecidos adjacentes (tais como a parede, o diafragma, a pleura, os brônquios, ou os tecidos à volta do coração). Pode existir mais do que um tumor na mesma região lobular do pulmão.

Estadio III – O cancro pode ter qualquer dimensão, pode existir mais do que um tumor maligno na mesma região e o cancro pode ter invadido os gânglios linfáticos de cada lado do esterno ou do pescoço. Pode existir invasão nos órgãos mais próximos, como é o caso do coração, esófago ou traqueia.

Estadio IV – O cancro está presente em ambos os pulmões, ou metastizou para órgãos mais distantes como é o caso do cérebro, ossos ou fígado, ou há presença de células de cancro do pulmão no fluido localizado entre as duas camadas da pleura.

 

Para o tumor de pequenas células o estadiamento considera habitualmente a existência de um estadio limitado e um estadio avançado.

De acordo com o estadio do pulmão, as opções terapêuticas, são:

Estadio I e II – neste estádio a opção de tratamento é geralmente a cirurgia.

Estadio III – as opções terapêuticas incluem a quimioterapia e radioterapia, em sequência ou combinadas.

Estadio IV – neste estádio, o tratamento é individualizado mas é baseado em quimioterapia ou no uso de novos medicamentos orais como o erlotinib ou geftinib.

Para o tratamento do cancro do pulmão de células pequenas, a possibilidade de tratamento é quase exclusivamente a quimioterapia citostática e, nos casos de estadio limitado, a radioterapia associada.

 

Prevenção do Cancro do Pulmão

A prevenção do cancro do pulmão passa sobretudo pela abstenção tabágica, evitar ambientes de fumo e usar proteção contra os materiais que constituam um fator de risco acrescido para o desenvolvimeto de cancro do pulmão.

Artigo revisto e validado pelo especialista em Medicina Geral e Familiar José Ramos Osório.

 

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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