A epilepsia é uma doença neurológica, crónica, caracterizada por crises súbitas recorrentes e paroxísticas (acessos) de convulsões, mais ou menos violentas.

 

Causas da Epilepsia

As crises epiléticas acontecem devido a uma descarga anormal e excessiva de células nervosas cerebrais, que afetam temporariamente a forma como a pessoa se comporta, move, pensa ou sente. Um indivíduo pode ter uma crise epilética sem ter epilepsia e sem ter uma doença do sistema nervoso (o que pode acontecer, por exemplo, por alterações dos iões ou diminuição da glicose no sangue, privação de álcool nos alcoólicos ou ingestão de drogas).

Existem dois tipos principais de crises epilépticas:

Generalizadas – Grande mal e Pequeno mal – envolve todo o cérebro e provoca perturbação do estado de consciência.

Focal ou parcial  – Simples ou Complexas – começam numa área cerebral, afetando apenas uma parte do cérebro, não levando à perda de conhecimento.

Algumas situações específicas podem afetar o cérebro e desencadear crises epiléticas. São elas:

  • Lesões cerebrais (antes ou depois do nascimento provocadas, por exemplo, por traumatismo).
  • Tumores cerebrais.
  • Infeções (especialmente a meningite e a encefalite).
  • Doenças genéticas.
  • Vasos sanguíneos anormais no cérebro (malformações vasculares).
  • Exposição a substâncias tóxicas (como chumbo).
  • Malformações do desenvolvimento do cérebro.
  • Alterações iónicas ou metabólicas.
  • Fármacos.

Na maior parte das pessoas com epilepsia, desconhece-se a causa específica.

 

Manifestações Clínicas

As manifestações da epilepsia variam de acordo com a extensão da área do cérebro afetada e da sua localização.

Crises epiléticas generalizadas primárias:

1. Crise tónico-clónica generalizada  (Grande Mal)

A pessoa perde a consciência e pára temporariamente de respirar. Durante um curto período, os músculos corporais contraem-se todos ao mesmo tempo, ao que se seguem uma série de movimentos espasmódicos. Algumas pessoas têm incontinência urinária e fecal (perda de urina e fezes) e pode ocorrer mordedura da língua. Esta crise pode durar alguns minutos, sendo seguida por um período de sonolência e confusão mental e, possivelmente, dores musculares e cefaleias.

 2. Crise tipo ausência (crise tipo Pequeno mal)

Caracteriza-se pela perda de consciência durante um período muito breve (a pessoa nem chega a mudar de posição). As ausências começam e terminam abruptamente e podem revelar-se, mediante:

  • Olhar fixo e vazio.
  • Pestanejar rapidamente.
  • Movimentos de mastigação.
  • Movimento rítmico da perna e do braço.

Este tipo de crise epilética geralmente começa na infância ou no início da adolescência.

 

Crises epiléticas parciais (focais):

1. Crise parcial simples

A pessoa permanece acordada e consciente. Os sintomas variam dependendo da área cerebral envolvida. Podem acontecer:

  • Movimentos espasmódicos numa parte do corpo.
  • Experiência de odores, sons anormais ou alterações visuais.
  • Náuseas.
  • Sintomas emocionais, tais como medo ou raiva inexplicados.

2. Crise parcial complexa 

A pessoa pode parecer consciente mas não responde durante um curto período, não tendo memória do episódio após a crise.

  • Olhar vazio e parado.
  • Movimentos de mastigação ou estalar os lábios.
  • Movimentos repetitivos da mão.
  • Comportamentos fora do habitual.

 

Estado de mal epilético 

Ocorre quando a pessoa tem uma crise epilética generalizada (com duração entre 15 a 30 minutos ou mais) ou uma sucessão de várias crises sem que haja, entre elas, recuperação completa da consciência. Esta situação constitui uma emergência médica e pode ser fatal.

 

Tratamento da Epilepsia

O diagnóstico da doença é feito com base na história clínica do doente, exame físico pormenorizado, exame neurológico completo, Electroencefalograma (EEG), Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou Ressonância Magnética Nuclear (RMN). Uma vez que é necessário averiguar se a epilepsia pode estar relacionada com causas externas, pode ser necessário realizar análises laboratoriais ao sangue e à urina, bem como outro tipo de exames.

Por vezes o diagnóstico da epilepsia é difícil, pelo que pode ser necessário realizar um Electroencefalograma (EEG) de 24 horas.

Qualquer pessoa com epilepsia ativa deve tomar precauções para, na eventualidade de sofrer uma crise epilética, minimizar o risco de lesão. É aconselhável evitar a utilização de maquinaria perigosa e de conduzir veículos motorizados (pelo menos dois anos após a última crise).

Uma vez que o álcool, o stress, o jejum prolongado, o cansaço físico e psíquico e o consumo exagerado de cafeína podem desencadear crises ou diminuir o limiar epiletogénico, a pessoa com epilepsia deve tentar seguir um tipo de vida que a ajuda a controlar a doença.

Se as convulsões se deverem a uma causa tratável como um tumor, uma infeção ou valores de glicémia ou sódio alterados, irão desaparecer uma vez tratado o problema de base. Quando não se encontra qualquer causa para a epilepsia ou quando não é possível controlar a perturbação, pode ser necessário administrar fármacos anticonvulsivantes que só são prescritos quando a pessoa apresenta episódios reincidentes. Um episódio único de convulsões, não implica o uso de medicação.

A prevenção das convulsões é essencial. As contrações musculares rápidas e violentas acarretam o risco de lesão no crânio, ossos e tecidos. Para além disso, a atividade elétrica turbulenta do grande mal pode causar algum dano cerebral. Embora uma única convulsão não deteriore a capacidade cerebral, os episódios de convulsões reincidentes podem afetá-la.
Cerca de 50% das pessoas tratadas com anticonvulsivantes controlam completamente a doença e 35% vê o número de crises reduzir.

Os fármacos são menos eficazes para as crises de pequeno mal. Metade das pessoas que respondem à terapia farmacológica podem, com o tempo, parar o tratamento sem que se verifiquem recidivas. Nenhum medicamento controla todos os tipos de crises convulsivas, pelo que algumas pessoas conseguem controlar as convulsões  apenas com um fármaco enquanto outras podem necessitar de vários.

A par dos medicamentos antiepiléticos, o indivíduo epilético deve ter períodos de sono regulares, repouso noturno e abstinência alcoólica.

Quando não é possível controlar as crises através da medicação, pode ser necessário contemplar a hipótese de uma intervenção cirúrgica. A frequência e a gravidade das crises epiléticas, o risco de lesão cerebral, o efeito sobre a qualidade de vida e estado geral do doente são fatores que concorrem para esta avaliação.

O estado de mal epilético constitui uma emergência médica potencialmente fatal, devendo ser tratado com medicamentos administrados por via endovenosa ou retal. Devem também ser tomadas medidas de proteção para manter a permeabilidade das vias aéreas do doente e para ajudar a prevenir as lesões da cabeça e da língua.

 

Artigo revisto e validado pela especialista em Medicina Geral e Familiar Isabel Braizinha.
Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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