Mindfulness: foque-se no presente

Mente sã em corpo são

Esta é uma famosa citação que vem do latim e que nos passa a mensagem de que o bem-estar mental e o bem-estar físico andam lado a lado. Direta ou indiretamente, os problemas de saúde mental podem ser terreno fértil para alguns problemas de natureza física: a ansiedade, o stress e a depressão são suscetíveis de desencadear as chamadas doenças psicossomáticas. O termo usado para designar estas doenças reflete precisamente isso, pois junta “psique” (mente) com “soma” (corpo).

É, pois, importante “alimentar” a saúde mental. E é esta a proposta do Mindfulness. Podemos traduzi-lo, em língua portuguesa, como “atenção plena”. E porquê? Porque este movimento visa fomentar a capacidade de estar atento e consciente do momento presente. Parte da identificação de que o padrão normal da pessoa é estar em “piloto automático”, isto é, desempenhar uma determinada tarefa no presente, mas com os pensamentos no passado ou no futuro. Esta dessincronização impede que se dedique atenção plena à experiência que se está a viver, facilmente abrindo a porta a ansiedade e stress.

E quanto maior a capacidade de viver no presente, mais potenciada é a consciência emocional da pessoa. O que lhe permite identificar novas possibilidades para responder e até para influenciar as circunstâncias da sua vida. Desta forma, tem mais ferramentas para contrariar os fatores geradores de stress e que, por sua vez, induzem desequilíbrios emocionais que, muitas vezes, conduzem a desequilíbrios físicos.

Combater o stress e a depressão

Diversos estudos internacionais se têm debruçado sobre a mais-valia para a saúde desta nova forma de encarar a vida. É o caso de uma investigação liderada pelo Professor Madhav Goyal, do departamento de Medicina da Johns Hopkins University (EUA) e publicado no JAMA – The Journal of the American Medical Association, segundo a qual a prática de Mindfulness pode revelar-se útil na prevenção e no combate ao stress, à ansiedade e, no limite, à depressão em determinados grupos de pessoas. O mesmo estudo identificou ainda “prova moderada” de efeitos positivos sobre a gestão da dor, nomeadamente uma diminuição da severidade da mesma. Outro estudo, este conduzido pelo Massachusetts Institute of Technology, pelo Massachussetts General Hospital e pela Harvard Medical School, e publicado no Brain Research Bulletin, identificou efeitos positivos do Mindfulness na capacidade de memória, atribuindo-se ao facto de favorecer o desenvolvimento de uma onde cerebral, o ritmo alfa, que influencia a nossa capacidade para “baixarmos o volume”, isto é, desligarmo-nos de um mundo com estímulos em excesso. Com essa capacidade de escrutinar e descartar informação e sensações irrelevantes e supérfluas, o cérebro foca-se melhor na incorporação e retenção de novos factos.

O que torna o Mindfulness uma arma útil na prevenção da depressão é exatamente o facto de promover algum distanciamento dos pensamentos, evitando assim que a pessoa se sinta esmagada por eles, nomeadamente que se deixe dominar pela autocrítica.

O mesmo acontece em relação à ansiedade: as pessoas que sofrem de ansiedade têm dificuldade em lidar com determinados pensamentos, que as distraem do presente e que acabam por as dominar. Não conseguem distinguir entre um pensamento útil, isto é, que produza uma solução para o problema que as aflige, e pensamentos que apenas causam sofrimento, sem qualquer benefício. Daí a ansiedade.

Ora uma pessoa com capacidade para estar atenta ao presente consegue mais facilmente identificar esses sinais de ansiedade e de stress e também mais facilmente consegue atuar sobre eles, antes que se tornem avassaladores e afetem a saúde mental e física.

O que propõe então o Mindfulness é exatamente isso: que cada um se foque mais no momento presente, incluindo nos pensamentos e nas emoções, mas também no mundo à sua volta.

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