O peso da obesidade

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) referentes a 2014 revelam que, à escala global, mais de 200 milhões de crianças em idade escolar são obesas. São números muito elevados e que sustentam uma previsão ainda mais assustadora: esta poderá ser a primeira geração a viver menos do que os seus pais. Para além de diminuir  drasticamente a esperança de vida, a obesidade tem um impacto na saúde que não pode ser ignorado.

Ser obeso é…

A fronteira entre o excesso de peso e a obesidade pode ser determinada pelo índice de massa corporal, cujo valor se calcula dividindo o peso (kg) pela altura ao quadrado. Se o resultado se situar entre 18,5 e 25kg/m2 o peso de um indivíduo é saudável; entre 25 e 30kg/m2 considera-se excesso de peso e, uma vez ultrapassado os 30kg/m2, estamos perante um quadro de obesidade (que pode ser considerada severa a partir de 35kg/m2 e mórbida a partir de 40kg/m2). Este índice é usado pela Organização Mundial da Saúde para avaliar o peso em grupos de população ou indivíduos, mas pode ser complementado com outros métodos da avaliação corporal (massa gorda, massa muscular, perímetro abdominal, entre outros).

Doenças cardiovasculares e diabetes

O peso em excesso, associado muitas vezes a uma alimentação rica em açúcares e gorduras e ao sedentarismo, reflete-se na circulação sanguínea. A acumulação de partículas de gordura nas paredes das artérias leva ao aparecimento da aterosclerose, doença caracterizada pela formação de placas que dificultam a irrigação sanguínea ao coração. Como consequência surge angina de peito (dor intensa após esforço) ou, em caso de obstrução, enfarte do miocárdio. Para além disso, o tecido adiposo é ativo, produz enzimas e interfere no metabolismo e com a atividade de células em vários pontos do organismo.

Hipercolesterolemia

O colesterol é uma gordura que participa no funcionamento do organismo. Divide-se em dois tipos: o colesterol “bom” (HDL) que previne até a aterosclerose e o “mau” colesterol (LDL), que tem o efeito inverso. A ingestão de gorduras aumenta exponencialmente estes níveis e prejudica a saúde cardiovascular, abrindo caminho para várias doenças. Segundo a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, os valores totais de colesterol não devem exceder 190 mg/dL e a vigilância dos valores deve ser feita periodicamente, de acordo com a regularidade indicada pelo médico.

Hipertensão

À semelhança do que acontece com a hipercolesterolemia e a diabetes, esta doença desenvolve-se de forma gradual e silenciosa. A hipertensão caracteriza-se pela pressão elevada do sangue nas artérias. Pode estar associada a história familiar, mas muitas vezes, deve-se a obesidade ou hábitos de vida pouco saudáveis (alimentação desequilibrada, tabagismo, sedentarismo). Pode afetar o coração (enfarte ou insuficiência cardíaca), cérebro (AVC) ou rins (insuficiência renal). Perante a ausência de sintomas precoces, aconselha-se as pessoas saudáveis a medir a tensão arterial duas vezes por ano, mas quem for hipertenso deve fazê-lo com maior frequência (de acordo com as indicações do médico).

Síndrome metabólica

Um quadro clínico comum em pessoas obesas e que reúne vários sintomas e patologias – colesterol elevado, glicemia alterada ou diabetes, hipertensão, perímetro abdominal superior a 88 ou 102 (nas mulheres e homens respetivamente) – é a síndrome metabólica. A origem desta condição clínica está nos problemas de insulina, cuja ação ou quantidade não permitem o equilíbrio do organismo, gerir o aporte de energia nem o correto metabolismo das gorduras. Esta síndrome metabólica constitui um risco acrescido de doenças cardiovasculares.

Problemas respiratórios

A obesidade interfere com o sistema respiratório, ao reduzir a capacidade pulmonar, exercer pressão sobre as vias e músculos ou exigir maior esforço para conseguir o aporte de oxigénio necessário. A apneia do sono é uma das situações afeta as pessoas obesas e que pode também levar ao aumento da tensão arterial. Outros problemas do foro respiratório que podem estar associados à obesidade são Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e a asma, cuja incidência e gravidade são superiores nas pessoas obesas.

Vários tipos de cancro

De acordo com o National Cancer Institute, estima-se que a obesidade pode estar associada ao risco acrescido de vários tipos de cancro (endométrio, mama, cólon, rim, vesícula e fígado), devido à ação das células adiposas ao nível da produção hormonal (estrogénios), nos níveis de insulina e nos processos inflamatórios no organismo.

Infertilidade

A obesidade interfere com a saúde reprodutiva e estima-se que existe uma relação entre um índice de massa corporal elevado e uma maior probabilidade de problemas de fertilidade. O peso em excesso pode levar ao aparecimento precoce da puberdade nas raparigas e mais tardio nos rapazes. A capacidade ovulatória pode também ser afetada, tanto ao nível da produção folicular como na qualidade dos óvulos. O tecido adiposo tem uma ação nociva no funcionamento do organismo, uma vez que contém substâncias que interferem na comunicação entre as células. Estudos indicam que as mulheres obesas têm mais problemas de infertilidade e maior dificuldade em engravidar. Perder peso pode melhorar o prognóstico mas cada caso é um caso e requer acompanhamento médico adequado.

Menor qualidade de vida

O impacto que o peso em excesso tem na estrutura óssea do indivíduo para além da dor e difícil mobilidade, tem repercussões sobre as articulações, originando problemas como a artrite (desgaste da cartilagem e osso). Com a qualidade de vida reduzida, verifica-se também uma tendência para o isolamento social, baixa autoestima e os problemas de ansiedade e depressão que daí advêm.

A obesidade é uma doença que pode ter repercussões em todo o organismo. Saúde cardiovascular, respiratória ou articular e fertilidade são algumas das principais áreas atingidas por esta doença que não escolhe idades. Assim, prevenir o excesso de peso desde a infância é uma medida urgente e que terá um impacto positivo na saúde futura.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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