O que é o HPV?

Todos os anos são diagnosticados cerca de mil novos casos de cancro do colo do útero em Portugal, de acordo com dados da Liga Portuguesa Contra o Cancro. A infeção HPV encontra-se presente na quase totalidade de cancro do cólo do útero e nas lesões pré-neoplásicas. Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), o HPV prevalece em 99,7% dos casos de cancro de colo do útero mundialmente diagnosticados, o que o torna o factor epidemiológico mais importante para este tipo de cancro.

Proteção sexual e HPV

O Papiloma Vírus Humano (HPV) é um vírus sexualmente transmissível e altamente prevalecente na população mundial. Estima-se que 75% das pessoas possa ter contacto com o vírus pelo menos uma vez na vida, de acordo com o Programa Nacional de Saúde Reprodutiva. Foi contudo, a associação entre o HPV e o cancro do colo do útero, que ocorreu nos anos 90, que conduziu à concentração de esforços para a deteção precoce da infeção.

A par dos meios de diagnóstico precoce, as formas mais adequadas para evitar a infeção são o uso de preservativo nas relações sexuais, a limitação do número de parceiros (quanto maior for o número de parceiros sexuais, mais exposta a mulher fica ao HPV) e a toma da vacina, que se encontra integrada no Programa Nacional de Vacinação (PNV) e oferece proteção contra 4 serotipos do papiloma vírus humano. Esta vacina está indicada para raparigas entre os 10 e os 13 anos, podendo ser feita até aos 18 anos. No entanto, se houver indicação clínica do médico assistente, a vacina pode ser realizada fora do Programa Nacional de Vacinação (PNV) a mulheres entre os 18 e os 45 anos e a rapazes dos 16 aos 26 anos.

Um vírus com muitas caras

As lesões provocadas pelo HPV não são todas iguais: os cerca de 200 genótipos de HPV conhecidos têm níveis de perigosidade diferentes para a saúde do indivíduo. E se alguns tipos de vírus provocam infeções benignas com a possibilidade de regressão espontânea (verrugas anais e genitais, condilomas acuminados e lesões benignas da orofaringe) outros podem evoluir para lesões cancerígenas (pénis, vulva, anús, colo do útero e orofaringe).

Hoje, sabe-se que são 15 os genótipos que apresentam elevado risco de carcinogénese. Dentro deste grupo, 2 deles (tipos 16 e 18 – a que se destina a vacina contra o HPV) são responsáveis por cerca de 75% dos casos de cancro de colo do útero diagnosticados.

Despistagem de HPV

A deteção e tratamento precoce das lesões constitui a forma mais eficaz para evitar que qualquer lesão existente degenere em cancro. O  Teste de Papanicolau (que consiste na colheita por raspagem de uma amostra de células do colo do útero – esfregaço) permite identificar a presença da infeção por HPV e a existência de células anómalas antes do aparecimento dos sintomas.
Este exame deverá ser feito 3 anos após o início da atividade sexual ou a partir dos 25 anos em mulheres sexualmente ativas.

Posteriormente, o Teste de Papanicolau deverá ser feito a cada 2 anos ou de 3 em 3, a partir do momento em que 3 exames consecutivos revelem um resultado negativo (as mulheres entre os 65 e os 70 anos que nos últimos 10 anos tenham apresentado 3 resultados consecutivos sem alterações, podem eventualmente suspender a realização do exame).

Tratar as lesões para evitar o cancro

Caso o exame de Papanicolau revele a presença de células atípicas, a lesão pode ser tratada através de crioterapia (congelamento), laser ou recorrendo a medicação para o efeito.

Sem tratamento, as células atípicas podem vir a transformar-se em células cancerígenas. As lesões podem ser de 2 tipos: baixo grau e alto grau. As lesões de baixo grau tanto podem desaparecer por si só como podem evoluir para uma lesão de alto grau. Caso não sejam tratadas, as lesões de alto grau podem evoluir para cancro do colo do útero.

Fatores de risco

Para além da infeção por HPV, há fatores que aumentam o risco de cancro do colo do útero:

  • Ter múltiplos parceiros sexuais.
  • Fumar.
  • Ter muitos filhos.
  • Tomar um contraceptivo oral (“pílula”) por longos períodos de tempo.
  • Ter a imunidade comprometida.
  • Ter mais de 40 anos.

O cancro do colo do útero pode ser assintomático durante um longo período, quando se manifesta provoca hemorragia vaginal, corrimento anormal, dor pélvica e dor durante a relação sexual.

Ao contrário da grande maioria das neoplasias, o cancro do colo do útero pode ser evitado. Vacinação, relações sexuais protegidas e realização do Teste de Papanicolau são grandes amigos das mulheres na prevenção e deteção precoce desta doença.

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