Tristeza ou depressão? Aprenda a distingui-las

Um sentimento de vazio e tristeza perante um acontecimento negativo que acontece inesperadamente e abala a nossa instabilidade emocional é desagradável, mas faz parte da vida e ajuda-nos a crescer como seres humanos. É dentro de nós e com o apoio daqueles que pertencem ao nosso mundo de afetos que temos de encontrar força para superar esses momentos de desalento e reagir. No entanto, a fronteira entre a tristeza e um estado depressivo pode ser ténue e é necessário estar alerta para um diagnóstico precoce. Sem explicação científica válida para o fenómeno, as estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que a depressão afeta mais as mulheres do que os homens, mas a partir dos 65 anos, quando o ser humano fica mais vulnerável, a doença não escolhe género. Se sentir que os níveis de tristeza são muito intensos, se se mantêm há mais de 2 semanas e estão a interferir com o seu bem-estar e com a capacidade de cumprir compromissos pessoais ou sociais, poderá estar na hora de recorrer ao aconselhamento de um especialista.

Causas e sinais de alerta

Bem distinta da tristeza passageira como reação emocional a um acontecimento doloroso, na depressão, esta sensação é persistente. Por incapacidade de encontrar a resiliência de que precisa ou como consequência de distúrbios neurológicos, que impedem a normal produção química e hormonal do organismo, o paciente enfrenta ansiedade, explosões de raiva, irritabilidade, frustração ou, pelo contrário, apatia e perda de libido, interesse ou prazer nas atividades normais. Os distúrbios do sono, que podem manifestar-se de forma tão variável como sonolência ou insónia, as dores de cabeça, o cansaço, a falta de energia, as dificuldades de concentração e de decisão, bem como a perda de apetite, também são muito comuns em doentes com depressão.

Num estado muito grave de depressão, os pensamentos e ideação suicidas exigem intervenção urgente, antes que seja demasiado tarde. Uma depressão não diagnosticada pode levar a estados de delírio, esquizofrenia e à morte.

Consultar um especialista

O tratamento para a depressão depende da evolução e da gravidade do problema. Indicada em depressões leves e moderadas, a psicoterapia é recomendada como primeira linha de tratamento, sobretudo, em crianças e adolescentes, em que muitas vezes a [glossary]depressão não se manifesta através de tristeza, mas de irritabilidade. Na psicoterapia, pretende-se que o paciente detete e tome consciência da origem da depressão para encontrar resiliência e adotar um comportamento adequado perante as situações mais difíceis. Este tratamento é exercido por um psiquiatra ou psicólogo através do diálogo, mas pode ser necessário complementar a intervenção com medicação.

Tratamentos disponíveis

A decisão de aliar a psicoterapia à administração de psicofármacos justifica-se quando há sofrimento, que nalguns casos pode ser provocado pelo próprio processo psicoterapêutico (que implica estar a explorar situações que são muito angustiantes) ou mesmo por disfunções neurológicas. Os antidepressivos atuam positivamente ao nível dos neurotransmissores, induzindo o aumento da concentração de substâncias químicas existentes no cérebro, como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, que equilibram o humor. Em caso de défice biológico provocado pela depressão, estes psicofármacos repõem os níveis de concentração e estabilizam o humor. Os mecanismos exatos de atuação divergem de acordo com o tipo e as particularidades da depressão, o que determina a existência de vários grupos de antidepressivos.

Facilmente confundida com tristeza ou mesmo raiva,  quando ocorrem explosões de irrritabilidade, a depressão é uma doença grave que precisa de diagnóstico e intervenção médica urgente. Por incapacidade de adaptação emocional ou por disfunções neurológicas, é importante identificar os fatores que retiram o bem-estar do paciente e iniciar o tratamento mais adequado para o nível de gravidade em que o doente se encontra.

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