Verão: atenção às intoxicações alimentares

Os dias quentes convidam a passar mais tempo no exterior mas, no que toca a alimentação, nem todos os produtos conseguem superar o desafio da temperatura, deteriorando-se. Reúnem-se assim condições favoráveis à ocorrência de intoxicações alimentares. Embora o marisco ou maionese sejam mais frequentemente associados a este problema, o risco de intoxicação está presente noutros alimentos, bem como na forma como são preparados, conservados, seja dentro ou fora de casa. Cabe a cada um de nós tomar as precauções necessárias para garantir uma alimentação saudável e sem riscos.

Alimentos sob suspeita

O calor é propício à propagação de microorganismos nos alimentos, obrigando a cuidados reforçados na escolha, preparação e conservação destes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, nos países industrializados, 1 em cada 3 pessoas sofra deste problema anualmente. Entre as bactérias responsáveis figuram os estafilococos (presentes nas natas, cremes de pastelaria, carne) a Salmonella (presente nos ovos, aves, carne, leite), a Brucella (lacticínios não pasteurizados) e a Listeria (presente na carne, leite, queijo, alimentos crus e processados).

Segundo a Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN), a lista de alimentos com maior risco de deterioração inclui:

  • Frutos do mar;
  • Iogurtes, leite e sobremesas lácteas;
  • Queijo fresco;
  • Fiambre;
  • Gelatina;
  • Carne;
  • Ovo;
  • Peixe mal cozinhado;
  • Molhos (maionese, natas, entre outros);
  • Bolos com creme/chantilly;
  • Quiches, folhados, empadas e fritos.

Como prevenir problemas gastrointestinais e intoxicações alimentares

Para evitar problemas gastrointestinais e intoxicações alimentares, seja seletivo na escolha dos alimentos que consome, optando apenas pelos que estão frescos e rejeitando todos os que possam constituir um risco ou cujo aspeto suscite dúvidas. Em casa, tome precauções na fase de preparação: mantenha os utensílios de cozinha e superfícies que contactam com os alimentos limpos, não use o mesmo utensílio (faca ou tábua de corte por exemplo) para alimentos crus e cozinhados, lave cuidadosamente os alimentos, sobretudo aqueles que serão comidos crus.

Outras medidas essenciais passam por lavar as mãos com frequência, consumir os alimentos logo após a preparação ou conservá-los no frigorífico em recipientes bem fechados. Sempre que preparar piqueniques ou refeições em dias quentes verifique se os alimentos estão devidamente conservados no frio e opte pelos que são mais resistentes ao calor e transporte. Transportar os alimentos em malas térmicas, acompanhados de almofadas de gelo e evitar o contacto com o sol são medidas que devem sempre ser tomadas. Assim, evita-se que os alimentos – principalmente os mais perecíveis – possam ser alterados pelo calor.

Sinais de alarme

Os primeiros sintomas podem verificar-se decorridos apenas alguns minutos após a ingestão dos alimentos alterados ou surgir horas ou dias mais tarde, dependendo do tipo de bactéria, da quantidade ingerida e da reação do organismo. Um dos sinais mais frequentemente apontados nos estudos realizados sobre este problema é a diarreia, mas poderão também ocorrer episódios de náuseas, vómitos, febre, dores de cabeça, abdominais e/ou musculares, fraqueza, arrepios e desconforto geral. Podem ainda verificar-se sintomas potencialmente mais graves como confusão, dormência ou formigueiro no rosto, mãos e pés.

O que fazer

Na maioria dos casos, o quadro clínico melhora espontaneamente após alguns dias, sendo apenas necessário deixar o estômago em “repouso” e assegurar o aporte de água, de forma regular e em pequenas quantidades, para uma hidratação adequada. Enquanto se verificarem os sintomas é importante ajudar o estômago a recuperar, evitando a ingestão de alimentos nos 60 minutos que se seguem ao episódio de vómito. Caso pertença a um dos grupos de risco – bebés, crianças, mulheres grávidas, pessoas com sistema imunitário debilitado ou idosos –, as queixas comuns persistam ou surjam outros sintomas como sangue ou muco nas fezes, deve consultar um médico. Através do exame médico, história clínica e análises é possível identificar a origem do problema, despistar outras patologias e definir um tratamento. Algumas situações podem ser graves e requerer internamento hospitalar.

As intoxicações alimentares são mais comuns nos meses de verão devido à proliferação de microorganismos nos alimentos. Tomar precauções na escolha, preparação e conservação dos géneros alimentícios é essencial para minimizar os riscos.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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