AdvanceCare | Falar de atividade física é falar de felicidade

Falar de atividade física é falar de felicidade

Saúde em primeiro lugar! Inspire-se com o testemunho de Sílvia Raposo que explica a importância da prática de actividade física regularmente. Muito mais que colher somente benefícios físicos, o estilo de vida saudável que advoga é um desafio a todos os níveis que prima pela força de vontade contagiante.

Falar de atividade física é falar de felicidade. Para mim, uma vida feliz é uma vida ativa. E certamente não sou a única a pensar assim, de acordo com um estudo da Universidade do Colorado, publicado no Journal of Health Psychology, as pessoas mais felizes com a sua vida e com os seus objetivos são as que são mais ativas fisicamente.

Sempre tive um grande apreço pelo exercício físico, algo que me foi incutido desde criança. Pratiquei várias modalidades, desde ginástica de competição, a ballet, karaté e natação. No entanto, foi há cerca de três anos atrás que a minha vida mudou. Fui confrontada com vários desafios pessoais e a prática de atividade física foi de tal modo importante que foi precisamente nela que encontrei todas as respostas que precisava. Foi nela que encontrei a melhor parte de mim. Quem pratica desporto sabe perfeitamente do que falo: os benefícios de uma prática regular vão muito mais além dos físicos. A disciplina necessária para uma prática consistente fortalece o carácter, torna-nos mais resilientes,  incute-nos de uma maior clareza mental e capacidade de persistirmos e nos excedermos. Quem investe parte do seu tempo em qualquer tipo de atividade física procura desafiar-se e superar-se. Tenho sérias dificuldades em enumerar todos os benefícios de uma vida saudável ativa, porque, antes de qualquer outra coisa, eu sou bastante assertiva quando afirmo que é suposto mexermo-nos. É suposto conseguirmos correr quilómetros, subir escadas, carregar sacos, remar e andar ao pé-coxinho se for preciso, sem sentir que vamos colapsar nos primeiros 10 minutos. O sedentarismo da atualidade deve ser combatido com unhas e dentes e faço disso a minha missão.

Treino no mínimo 4 vezes por semana, sendo que alterno entre corrida ao ar livre, treinos funcionais, yoga e treino de resistência. Quando corro, faço o meu exercício de cardio, e embora o faça sempre de forma descontraída, gosto de trabalhar para melhorar a distância percorrida no mesmo espaço de tempo. Corro a ouvir música e é a terapia perfeita. Quando não posso correr ao ar livre, faço uma sessão HIIT na passadeira, alternando períodos de sprint com paragens, para acelerar o ritmo cardíaco com maior eficiência. Já os treinos funcionais e de resistência servem para alcançar o propósito de aumentar massa muscular e esta é a parte que considero mais desafiante. Um treino com pesos ajuda-me a alcançar objetivos e aumentar a força. Para equilibrar a perda de elasticidade e o encurtamento dos músculos que resultam desta atividade, comecei a fazer yoga há cerca de dois anos atrás e desde esse momento, tornou-se um requisito essencial para o meu bem-estar. Com esta prática milenar desenvolvi equilíbrio e flexibilidade, controlo corporal e força. Mas os maiores benefícios são mentais – estar presente no momento, mindful, olhando para dentro, criando equilíbrio dentro no interior e trazendo-o para o exterior, aprendendo a apreciar cada momento da melhor forma. Esta prática acabou por contribuir para uma postura Zen que eu já clamava para mim, por isso o encaixe foi perfeito.  O verdadeiro treino é mental: esvaziar a mente e treiná-la para viver no momento, adotando uma postura tranquila e serena nos desafios que surgem no dia-a-dia, aspirando ser o meu melhor para os outros.

Neste momento, os meus planos passam por incorporar uma arte marcial ao leque de atividades e estou bastante entusiasmada com a ideia de retomar essa prática.

Por vezes as pessoas perguntam-me como é que eu tenho cabeça para ir treinar nos dias mais complicados. Mas a resposta reside aí mesmo: porque são os dias mais complicados. Segundo uma investigação da Universidade de Yale, ¾ das pessoas fazem menos exercício quando se sentem esgotadas. Isto é paradoxal, porque fazer exercício com regularidade é das formas mais eficazes para diminuir a ansiedade, reduzir o stress e alcançar o bem-estar.  Por isso, a minha estratégia é continuar parte do ¼ que treina precisamente nos dias mais difíceis. E se me sentir terrivelmente cansada, opto por um treino mais leve, mas nunca deixo de o fazer. A verdade é que penso no treino como um momento comigo mesma, e, por isso, dou-lhe prioridade. E a magia acontece, quando acabo o treino, qualquer que seja o desafio, encaro-o com uma óptica diferente. Alguma vez me arrependi de ir treinar? Nunca aconteceu.

Em termos práticos, o exercício é apenas um componente de um estilo de vida saudável que advogo. Rejeito dietas, nunca estou mais de 3h sem comer e não conto calorias, conto químicos. Tenho uma alimentação  que privilegia essencialmente vegetais e fruta, e quanto ao meu ideal de corpo perfeito, o conceito simples: para mim, um corpo perfeito é um corpo saudável.

Para quem gostaria de iniciar alguma atividade física e procuraria algum conselho, o maior que eu posso dar é de encarar o exercício como uma adição positiva que funciona em nosso proveito e nunca como um sacrífico ou perda de tempo. O impacto que uma prática regular terá na nossa saúde física e mental não deve ser menosprezado. E qualquer começo, por menor que seja, será melhor que nada. Subir as escadas do prédio, em vez de ir de elevador, andar até ao supermercado em vez de ir de carro, alongar depois de um dia de trabalho- o importante é mesmo começar, manter a consistência, e aos poucos, ir aumentando a fasquia.