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AdvanceCare | Vem aí o inverno! Defenda-se

Vem aí o inverno! Defenda-se

Abel García Abejas, especialista em Medicina Geral e Familiar no Hospital CUF Descobertas aponta algumas das estratégias para se proteger das principais doenças desta estação: gripe, constipação, amigdalite e pneumonia.

Com a chegada do frio, sentimo-nos mais vulneráveis e não é por acaso: o nível de ameaça à nossa saúde sobe. Os espaços fechados, mal ventilados ou com muitas pessoas, as alterações bruscas de temperatura são situações em que as bactérias e vírus proliferam e podem traduzir-se em problemas respiratórios. Identificar a patologia é essencial para dar a resposta mais adequada, alertam os médicos. Com a ajuda de Abel García Abejas, especialista em Medicina Geral e Familiar no Hospital CUF Descobertas, em Lisboa, proteja-se das quatro doenças mais comuns nesta fase do ano.

Bons hábitos

“A forma melhor de se proteger contra estas quatro patologias é estimular hábitos de vida saudáveis, atividade física regular e medidas gerais de proteção, como lavar as mãos e evitar contacto próximo com pessoas infetadas” recorda o médico. A prática física não deve ser esquecida no inverno, e uma caminhada ao ar livre, com o equipamento adequado, pode trazer mais vantagens do que uma hora fechado no ginásio. Além dos benefícios para a saúde, cardiovascular, respiratória o desporto reduz o stress. Este é um fator de “fragilidade”, alerta Abel García Abejas, uma vez que “provoca uma instabilidade emocional e no nosso sistema imunológico o que nos condiciona a poder ser mais suscetíveis de sofrer este tipo de doenças.”   

Constipação vs gripe

Embora sejam ambas doenças virais com sinais semelhantes – rouquidão, fadiga, mal-estar, arrepios, tosse, obstrução nasal – é a intensidade dos sintomas que ajuda a distinguir a gripe de uma constipação, nomeadamente da febre (ligeira e menos comum na constipação em adultos). “A gripe cursa com mais febre assim como com sintomas sistémicos mais marcados como astenia anorexia e mialgias (dores musculares).” A persistência dos sintomas pode indiciar outro problema ou infeção bacteriana, pelo que a avaliação médica é importante. A toma de antibióticos não está indicada nestas patologias, uma vez que não resultam de infeção bacteriana.

A prevenção passa, sobretudo, por uma boa higiene. Segundo o médico, “a toma da vacina traz vantagens para a população geral como mecanismo para evitar ou treduzir os casos de infeção. Contudo, terá mais-valias nos grupos de risco”. A vacina é gratuita para pessoas imunodeprimidas, maiores de 65 anos e internados em instituições, grávidas, profissionais de saúde, doentes a aguardar transplante, sob quimioterapia, com trissomia 21, fibrose quística, doença neuromuscular e com défice de alfa-1 antitripsina.

Amigdalite

Tipicamente associada à infância, esta patologia que se caracteriza pela dor de garganta, rouquidão e dificuldade em deglutir tem também na sua origem uma infeção viral ou bacteriana (mais comum). São a primeira linha de defesa imunitária do organismo e particularmente sensíveis até à puberdade. O diagnóstico médico é importante para definir o tratamento, muitas vezes antibiótico. Entre as medidas de prevenção habituais, a higiene assume relevância. Deve substituir a escova de dentes da criança e alertá-la para evitar partilhar copos, talheres, tossir ou espirrar para um lenço e lavar bem as mãos depois.

Pneumonia

Não é uma doença sazonal, embora seja mais comum no inverno. O motivo está permanência mais prolongada em espaços fechados poluídos, fatores que em paralelo com o tabagismo aumentam o risco de infeção. Esta inflamação respiratória atinge os alvéolos e bronquíolos, que acumulam líquido, impedindo o bom funcionamento pulmonar. Os sintomas – febre, tosse, mal-estar – evoluem rapidamente e surgem associados a dificuldade respiratória. Pode ter início numa infeção viral ou bacterina ou surgir na sequência de uma gripe ou constipação. Dor no peito, febre alta e persistente e tosse com expetoração são os principais sintomas diferenciadores. Os principais grupos de risco são as crianças até aos dois anos e adultos maiores de 65, é também comum em pessoas hospitalizadas.

O médico recomenda

A duração e intensidade dos sintomas são as principais razões para procurar ajuda. Deve marcar uma consulta de Medicina Geral e Familiar “após 48 horas com febre persistente mesmo com a toma de medicamentos para tal efeito ou se notar um agravamento do estado geral”, exemplifica Abel García Abejas. De todas as estratégias comuns há uma que deve evitar a todo o custo – a automedicação ou toma de indiscriminada de antibióticos – pois “torna mais complicados os diagnósticos e aumenta as resistências aos mesmos”, alerta.

 Nestas doenças típicas de inverno, a automedicação, em especial com antibióticos, é o erro mais comum, alerta Abel García Abejas. É preferível ir ao seu médico de família mesmo no dia”.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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