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Cólera

Infeção intestinal provocada por uma bactéria – vibrio cholerae – que se encontra em água e alimentos contaminados por fezes. É uma patologia comum em países com sistemas sanitários deficientes, nomeadamente em África, Ásia e América Central e do Sul, embora possam surgir surtos epidémicos noutros países. Provoca diarreia e desidratação grave, podendo levar à morte se não for devidamente tratada. Regra geral, as pessoas que habitam em zonas onde ocorre com frequência desenvolvem, com o passar do tempo, imunidade à bactéria. As crianças e os viajantes são, por estes motivos, os grupos mais suscetíveis de infeção.

Causas de Cólera

A bactéria vibrio cholerae que está na origem da infeção instala-se nos intestinos e interfere com a absorção de líquidos e sais minerais importantes para o seu bom funcionamento, fomentando a libertação acentuada de líquidos. A bactéria está presente em água contaminada e alimentos como a fruta, vegetais ou marisco (em especial crustáceos) das zonas afetadas. O consumo de água não engarrafada ou dos alimentos acima referidos crus constitui um risco elevado de infeção.

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Imagem microscópica de vibrio cholerae, a bactéria responsável pela cólera

Para além da permanência em zonas afetadas, existem outros fatores de risco:

  • grupo sanguíneo 0 – estima-se que as pessoas com este grupo sanguíneo tenham o dobro da probabilidade de sofrer da doença.
  • deficiência em ácido clorídrico – ácido presente no estômago que serve de barreira natural a esta bactéria, por este motivo as pessoas com níveis mais baixos (ou inexistentes) desde ácido são mais vulneráveis à infeção. É o caso das crianças, idosos, pessoas que tomam antiácidos ou inibidores da bomba de protões.

 

 

Sintomas de Cólera

Muitos casos de cólera são assintomáticos, devido à ausência de sinais da doença em que a pessoa não se apercebe de que está infetada. De um modo geral, a sintomatologia da cólera surge cerca de três dias após o início da infeção e caracteriza-se por:

  • Diarreia súbita, indolor e aquosa.
  • Vómitos.
  • Náuseas.

A desidratação é o principal risco neste tipo de patologia. Em situações mais graves a perda de líquidos pode ser muito acentuada (cerca de um litro por hora) e provocar as seguintes reações:

  • Cãibras.
  • Sede intensa.
  • Debilidade física.
  • Produção mínima de urina.

Nas crianças as manifestações são idênticas, contudo como este grupo é mais sensível à hipoglicemia originada pela perda de fluidos podem ainda verificar-se convulsões ou coma.

Diagnóstico e Tratamento de Cólera

O diagnóstico é conseguido através da análise às fezes ou reto para identificar a presença da bactéria.

Manter os níveis de hidratação adequados, através da ingestão ou administração intravenosa de líquidos e sais minerais é fundamental para travar esta patologia. Em certos casos podem ser administrados antibióticos para controlar a diarreia.

Os sintomas tendem a desaparecer após cerca de três a seis dias, altura em que o organismo se liberta da bactéria. Em alguns casos, a pessoa pode ficar portadora da bactéria, sem apresentar outros sintomas.

Existe uma vacina cuja proteção é de cerca de 80% e a toma só está recomendada para viajantes que se desloquem a países endémicos ou para pessoas que trabalhem nesses locais, nomeadamente profissionais de saúde ou de apoio humanitário.

Em qualquer dos casos, existem medidas preventivas que devem ser respeitadas por quem se desloca a países eventualmente afetados por cólera:

  • Evitar bebidas com gelo ou água local, preferir bebidas engarrafadas
  • Usar água engarrafada para beber e até para lavar os dentes
  • Não consumir alimentos crus, pouco cozinhados
  • Descascar os frutos antes de consumir e evitar saladas
  • Lavar as mãos com frequência

 

Artigo revisto e validado pela especialista em Medicina Geral e Familiar Maria Isabel Braizinha.

 

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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