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Malária

malária

Contaminação humana pelo parasita responsável pela malária. O parasita penetra as células da pele e penetra na corrente sanguínea, onde se desenvolve.

A Malária, também conhecida como Paludismo, é uma doença infeciosa que lesa  os glóbulos vermelhos, transmitida pela picada de um mosquito (o vector que transmite a doença é a fêmea do mosquito Anopheles, que se encontra infetada por Plasmodium).

A malária encontra-se sobretudo em países tropicais.

Ao picar um indivíduo infetado, o mosquito aspira sangue que contém parasitas – que chegam às suas glândulas salivares, e que são injetados noutra pessoa quando o mosquito volta a picar, sendo assim vetor de propagação da doença.

Uma vez no organismo humano, os parasitas alojam-se no fígado, onde se multiplicam e amadurecem, num período entre sete dias a quatro semanas. Findo esse período, podem abandonar o fígado e invadem os glóbulos vermelhos.

Os parasitas multiplicam-se dentro dos glóbulos vermelhos, fazendo com que rebentem.

Existem 4 espécies de parasitas capazes de infetar os seres humanos:

  • Plasmodium vivax 
  • Plasmodium ovale 
    (Estas duas espécies podem permanecer nas células do fígado enquanto vão libertando parasitas maduros para a corrente sanguínea, provocando ataques com os sintomas do paludismo).
  • Plasmodium falciparum 
  • Plasmodium malariae 

Estas duas espécies não permanecem no fígado. Contudo, se a infeção não for tratada, a forma madura do Plasmodium falciparum pode persistir na corrente sanguínea durante meses e a forma madura do Plasmodium malariae pode persistir durante anos, provocando ataques repetidos com os sintomas do paludismo.

Se um indivíduo não receber tratamento, os sintomas do paludismo por Plasmodium vivax, por Plasmodium ovale ou por Plasmodium malariae regridem espontaneamente em 10 a 30 dias, podendo recorrer com intervalos variáveis.

O paludismo por Plasmodium falciparum (responsável por 20% das infeções) constitui uma forma  que pode ser mortal.

O risco de transmissão da doença encontra-se relacionado com a atividade do vetor (mosquito). Os vetores são abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer. Contudo, é possível que piquem durante todo o período noturno.

O horário em que há maior abundância de mosquitos varia de acordo com cada espécie, nas diferentes regiões e ao longo do ano.

Todo o indivíduo é suscetível à infeção por malária. Indivíduos que tiveram vários episódios de malária podem atingir um estado de imunidade parcial, apresentando quadro oligossintomático, subclínico ou assintomático.

Cerca de 300 milhões de pessoas são anualmente infetadas com malária.

Em países africanos, o número de mortes ronda os 1,5 milhões.

Causas de Malária

  • Picada do mosquito Anopheles fêmea.
  • Transfusões de sangue infetado.
  • Partilha de seringas.
  • Contágio mãe/filho durante a gravidez.

(As três últimas causas existem em número reduzido).

Sintomas de Malária

Os sintomas têm início entre 7 a 35 dias após a picada e são:

  • Febre alta (contínua na fase inicial e posteriormente de três em três dias).
  • Dores de cabeça.
  • Dores musculares.
  • Calafrios.
  • Taquicardia.
  • Icterícia ligeira.
  • Aumento do baço e fígado.
  • Delírios.
  • Aumento de linfócitos e monócitos.
  • Descida dos valores da glicose no sangue (sobretudo nas pessoas que apresentam uma grande quantidade de parasitas). Os valores de açúcar no sangue podem descer posteriormente naqueles que são tratados com quinina.

Sintomas iniciais

(variam de acordo com a espécie de parasita que promove a infeção).

  • Paludismo por P. vivax e por P. ovale
    Inicio brusco com calafrio intenso.
    Sudação. Febre intermitente.

No decurso de uma semana, estabelece-se o padrão típico de ataques intermitentes. Um período de dor de cabeça e mal-estar pode ser seguido de arrepios intensos.

A febre dura entre 1 a 8 horas (o paciente tende a sentir-se bem nos intervalos da febre). No caso do paludismo por P. vivax, os ataques costumam surgir todas as 48 horas.

  • Paludismo por P. falciparum
    Inicia-se com calafrios.
    Dor de cabeça intensa.
    A temperatura sobe gradualmente para depois baixar de forma brusca. O ataque dura entre 20 a 36 horas.

A pessoa pode sentir-se mais doente do que com o paludismo por P. vivax. Entre os ataques, durante intervalos que oscilam entre as 36 e as 72 horas, podem sobrevir sintomas depressivos e aparecer febre baixa.

  • Paludismo por P. malariae
    Início brusco e semelhante ao do paludismo por P. vivax, repetindo-se a cada cada 72 horas.

No paludismo por Plasmodium falciparum pode verificar-se uma alteração da função cerebral, complicação denominada ‘malária cerebral’, responsável por 80% dos casos letais da doença. Os sintomas consistem em:

  • Ligeira rigidez na nuca.
  • Febre de pelo menos 40ºC.
  • Perturbações sensoriais.
  • Desorientação.
  • Sonolência ou excitação.
  • Convulsões.
  • Vómitos.
  • Dores de cabeça.
  • Coma.
  • Vertigens.

Às vezes o paludismo persiste apesar de um baixo número de parasitas no sangue. Os sintomas incluem:

  • Apatia.
  • Dores de cabeça periódicas.
  • Sensação de mal-estar.
  • Falta de apetite.
  • Fadiga.
  • Ataques de calafrios e febre. Os sintomas são consideravelmente mais ligeiros e os ataques posteriores não duram tanto como o primeiro.

Complicações

Febre hemoglobinúrica – É uma complicação rara do paludismo causada pela ruptura de uma grande quantidade de glóbulos vermelhos. Quando esta situação acontece, liberta-se um pigmento vermelho (hemoglobina) na corrente sanguínea, que é logo excretada com a urina, fazendo com que esta apresente uma cor escura.

Esta febre ocorre quase exclusivamente nos doentes com malária crónica por Plasmodium falciparum, especialmente nos que foram tratados com quinina.

Diagnóstico e Tratamento da Malária

Ataques periódicos de calafrios e febre sem causa aparente e um aumento do volume do baço levantam suspeitas de malária, sobretudo se a pessoa visitou alguma zona na qual o paludismo é frequente.

Uma análise laboratorial (um correto diagnóstico pode necessitar de várias análises ao longo do tempo) ao sangue permite identificar o parasita e confirmar o diagnóstico.

A análise laboratorial identifica a espécie de Plasmodium encontrado no sangue. O tratamento, as complicações e o prognóstico da malária variam de acordo com a espécie responsável pela infeção.

As pessoas que vivem ou viajam para as zonas endémicas devem utilizar inseticidas e repelentes quer em casa, quer em zonas anexas.

As janelas e as portas devem encontrar-se protegidas por redes e as camas devem ser protegidas por mosquiteiro.

O uso de repelente e a utilização de roupas que, após o pôr-do-sol, cubram ao máximo a pele, constituem boas estratégias de prevenção.

Caso se viaje para uma zona endémica, deve fazer-se profilaxia com medicação à base de quinino. A toma deve iniciar-se uma semana antes da viagem, continuada na estadia e prolongada durante o mês seguinte.

O fármaco mais frequentemente utilizado é a cloraquina. Contudo, muitas zonas do mundo têm espécies de Plasmodium falciparum que são resistentes a este fármaco. A mefloquina e a doxiciclina podem ser igualmente utilizadas (a doxiciclina não pode ser tomada por crianças menores de 8 anos ou mulheres grávidas).

Nenhuma terapêutica é completamente eficaz de forma a evitar a infeção. Qualquer pessoa, que tenha viajado para zonas endémicas ou que aí se encontre, deve ser examinada no  caso de apresentar febre.

O tratamento dependerá do tipo de malária e da zona geográfica em que o indivíduo a contraiu.

Artigo revisto e validado pelo especialista em Medicina Geral e Familiar José Ramos Osório.