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Diabetes pode afetar fertilidade masculina

Uma equipa de investigadores portugueses deu mais um passo para a descoberta dos mecanismos que explicam de que forma a diabetes interfere na fertilidade masculina, em que um dos objetivos é sensibilizando os doentes para a importância de controlarem a doença.

Nas últimas décadas, a diabetes tem registado um aumento preocupante e de acordo com a Organização Mundial da Saúde em 2030, o número de casos poderá atingir os 366 000 milhões em todo o mundo. Portugal é um dos países europeus com maior incidência de diabetes, de acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico – OCDE. “Segundo o Observatório Nacional da Diabetes, o número de diabéticos ultrapassa já o milhão, constituindo este um valor preocupante numa população com a dimensão da nossa”, comenta Sandra Amaral, investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra (CNBC).

Diabetes e (in)fertilidade

A diabetes está associada ao aparecimento de várias patologias e complicações (doenças cardiovasculares, retinopatia, nefropatia e neuropatia diabéticas, entre outras), afetando vários sistemas do organismo. O sistema reprodutor não é exceção. Além de fatores como anomalias congénitas ou adquiridas, influência dos hábitos de vida, entre outros, sabe-se que doenças sistémicas como a diabetes podem contribuir para a infertilidade. “Na verdade, o crescimento galopante da doença está a refletir-se na maior prevalência da doença em jovens em idade reprodutiva e pode comprometer a fertilidade destes”, destaca a investigadora, salientando que a diabetes pode afetar a função reprodutora de homens e de mulheres.

Impacto na fertilidade masculina

Como explica Sandra Amaral, “A diabetes afeta a função sexual de indivíduos diabéticos e é resultado de uma desordem física progressiva conjuntamente com fatores psicológicos. Os pacientes diabéticos, além da diminuição da libido e disfunção orgásmica, têm uma maior probabilidade de disfunção erétil.” Outra sequela masculina, menos frequente, é a ejaculação retrógrada, na qual o esperma é conduzido para a bexiga em vez de sair pela uretra. Menor número de gravidezes, maior número de abortos espontâneos e recurso mais frequente a técnicas de reprodução medicamente assistida são outros exemplos de dificuldades que podem ser experienciadas por homens com diabetes.

As causas

Uma das razões para as repercussões da diabetes na fertilidade masculina prende-se com a qualidade do esperma, que pode ser menor em homens diabéticos. Por outro lado, mudanças a nível hormonal como a diminuição da testosterona, e a própria insulina, cuja ação se encontra alterada na doença, “poderá afetar a regulação hormonal masculina”, refere a investigadora. Os mecanismos deste fenómeno não estão ainda esclarecidos e têm sido alvo de interesse por investigadores de todo o mundo, como é o caso da equipa liderada por Sandra Amaral, que se dedicou ao estudo da função reprodutora masculina. Neste estudo “concluiu-se que a hiperglicemia por si só não parece afetar diretamente os espermatozoides maduros, mas sim a sua formação (espermatogénese). No entanto, não excluímos a possibilidade de outros fatores envolvidos na doença – stress oxidativo, processos inflamatórios e alterações vasculares/endoteliais – que, com a hiperglicemia, possam ter efeitos nefastos diretos nos espermatozoides e que pretendemos explorar no futuro”, sublinha a coordenadora do projeto.

Sensibilizar os doentes com diabetes

Alertar para o impacto da diabetes na fertilidade é um dos objetivos deste estudo, explica Sandra Amaral, explicando que “sendo uma doença silenciosa, quando os primeiros sinais aparecem são já de alguma gravidade e acaba por ser comum que a saúde reprodutiva seja descurada entre tantas complicações mais ‘visíveis’. Acreditamos que uma maior sensibilização dos pacientes diabéticos relativamente a esta temática nos permitirá avançar para estudos em humanos no futuro e perceber melhor o que motiva as alterações reprodutivas em diabéticos.”

Prevenção é essencial

Enquanto a ciência procura respostas, é possível minimizar o risco de disfunção reprodutora associada à diabetes. Segundo Sandra Amaral, “os efeitos estarão também dependentes da duração da doença, do controlo glicémico, da existência de outras complicações associadas à doença e do tipo de tratamento usado. Enquanto não sabemos mais e não existem medicamentos específicos, a prevenção é essencial não só para evitar o aparecimento de complicações mas também o seu agravamento.” Adotar um estilo de vida saudável, que inclui uma alimentação regrada (evitando o consumo excessivo de açúcares e gorduras) e a prática de exercício físico é essencial. “Além disso, devemos encarar a saúde reprodutiva como a de qualquer outro sistema do nosso organismo e ser vigilantes”, recomenda.

A Diabetes tem influência em toda a nossa vida, pois pode desenvolver outras doenças, como a infertilidade masculina de acordo com a investigação feita pelos Investigadores da Universidade de Coimbra. Por isso, é importante prevenir e controlar a Diabetes e ao mesmo tempo adotar um estilo de vida saudável.

Equipa Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra

Equipa Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra

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