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Os primeiros meses do bebé

Acaba de ser mãe e tem muitas dúvidas? Neste dossier vai encontrar tudo o que precisa saber para tomar conta do seu bebé entre os 0 e os 3 meses de vida. O que significa o choro, o que fazer em caso de cólicas, quais as vacinas a administrar ao seu bebé ou a importância da amamentação são só algumas da questões analisadas neste artigo, para aproveitar em pleno a experiência da maternidade.

Regressar a casa com o primeiro filho nos braços pode ser e é, com frequência, motivo de ansiedade. O que é perfeitamente natural: afinal, é um novo ser sob os nossos cuidados. É todo um mundo de descoberta e um caminho de aprendizagem, que se deve percorrer passo a passo, prestando atenção aos pequenos sinais que o próprio bebé vai dando.

Nas primeiras semanas de vida, parece que o bebé só come e dorme, mas muito está a acontecer a nível do desenvolvimento físico, cognitivo, emocional, social.

 

Os cinco sentidos

Todos os sentidos do bebé estão a funcionar e ele capta os sons, as imagens e os cheiros do seu novo mundo. É difícil saber exatamente o que um bebé sente, mas prestando atenção ao modo como reage à luz, ao ruído e ao toque percebe-se que há muitas sensações a emergir. Tais como:

  • Visão: O bebé consegue ver logo após o momento do nascimento, embora tenha dificuldade em focar objetos. É sensível à luz, sendo mais provável que abra os olhos quando a luminosidade é mais ténue. Depois do rosto humano, cores vivas, padrões contrastantes e movimentos são o que mais o atrai. No início, os olhos do bebé podem parecer convergir ou divergir por instantes: não há qualquer problema, é uma questão de falta de maturidade dos músculos oculares, que se ultrapassa nos primeiros meses.
    É importante estimular a visão do bebé, introduzindo-o a novos objetos e mudando-o de cenário ao longo dia: do quarto para a sala, por exemplo.
  • Audição: Ainda no útero, já o bebé ouve sons: o coração da mãe, os movimentos do sistema digestivo e até alguns sons externos, como vozes dos membros da família que fazem parte do seu mundo antes de nascer. Após o nascimento, os sons tornam-se mais nítidos e altos. O que explica que o bebé se sobressalte com o ladrar de um cão ou se acalme com uma melodia entoada pela mãe. As vozes humanas, sobretudo as dos pais, são aliás a “música” preferida dos bebés.
    Nos primeiros meses, o bebé ainda não é capaz de coordenar a visão e a audição, pelo que poderá estar a olhar para o lado oposto daquele onde a mãe está, mas a prestar atenção à voz dela.
  • Olfato e paladar: Estes dois sentidos estão intimamente ligados. E os recém-nascidos já têm as suas “preferências”, por exemplo: sabores doces por oposição aos amargos, ainda que essas preferências evoluam ao longo do primeiro ano de vida à medida que são introduzidos novos alimentos. O olfato está completamente desenvolvido quando o bebé nasce e durante as primeiras semanas de vida é também através do cheiro que o bebé reconhece a mãe.
  • Tato: No início, o bebé apenas procura conforto. Ao deixar o ambiente reconfortante do útero materno, é confrontado com as primeiras sensações desagradáveis – por exemplo, sente frio, pela primeira vez. Por isso, tudo o que é macio faz as delícias do bebé, desde cobertores a carícias. Nestes primeiros meses, é importante estabelecer contacto físico com o bebé, proporcionando-lhe conforto e segurança e criando laços que ficam para a vida.

 

A alimentação

Nos primeiros três meses de vida, o leite é o alimento exclusivo do bebé. Seja materno, seja em fórmula, o leite corresponde às necessidades nutricionais do bebé.

As atuais recomendações vão no sentido de privilegiar a amamentação. O leite materno é considerado um alimento completo, congregando todos os nutrientes essenciais. Contudo, a amamentação nem sempre é opção: ou por razões médicas ou por decisão da mulher, a alternativa é alimentar o bebé através dos chamados leites em pó, isto é, fórmulas preparadas à imagem e semelhança do leite materno, totalmente adequadas e seguras para o bebé.

Qualquer que seja a escolha, o momento de alimentar o bebé constitui uma oportunidade ímpar para o fortalecimento da relação entre mãe e filho.

 

Amamentar, sim. E como?

Quando a decisão é amamentar, ela deve acontecer o mais cedo possível, pois o aleitamento precoce favorece a subida do leite. Além disso, o colostro – assim se chama o primeiro leite – é rico em elementos que protegem contra infeções, tendo ainda virtudes laxantes, ajudando à evacuação do mecónio, isto é, das primeiras fezes.

O leite materno não possui caseína (princípio alcalino que é a principal característica do leite), que se digere facilmente. O que, associado ao facto de o estômago do bebé ser muito pequeno explica que ele tenha de ser alimentado com frequência. Nos primeiros tempos, a frequência da amamentação pode ir das oito às dozes vezes, incluindo de noite, contudo varia de caso para caso. Na verdade é o bebé que dita o ritmo.

No início, a mãe pode recear não ter leite de qualidade ou em quantidade suficiente, mas a observação do bebé permite eliminar as dúvidas. Certo é que amamentar exige tempo e disponibilidade, mas também tranquilidade, porque é um momento importante entre mãe e filho.

Assim:

  • Amamente num ambiente sereno e confortável.
  • Encontre uma boa posição para si, quer esteja deitada ou sentada: o corpo do bebé deve colar-se ao seu, a cabeça deve ficar face ao seio e a boca alinhada com o mamilo.
  • Uma boa adaptação da boca do bebé ao seio materno facilita a sucção e evita a formação de gretas.
  • Faça uma alimentação adequada, reforçada em leite ou derivados, pão ou derivados, produtos hortícolas, carne e peixe, pois favorecem a produção de leite.
  • Beba muita água ou preparados culinários, como por exemplo sopas.
  • Evite alimentos que possam conferir ao leite um sabor desagradável, como condimentos picantes.
  • Evite o álcool, o café e o tabaco.

 

A alternativa: fórmulas seguras

Quando amamentar não é uma opção, a alimentação do bebé faz-se com recurso a leites e fórmulas infantis. Concebidos à imagem do leite materno, oferecem os mesmos nutrientes e os mesmos benefícios ao nível do crescimento e desenvolvimento.

São adequados às diferentes fases do desenvolvimento do bebé e às suas diferentes necessidades, dividindo-se, por isso, entre leites para lactentes e leites de transição. Como o nome indica, os primeiros – também designados como leites 1 – são indicados para a fase em que o bebé se alimenta apenas de leite, isto é, até aos quatro meses. Quando começam a ser introduzidos outros alimentos, passa-se para os leites de transição ou leites 2. Mas sempre depois dos quatro meses.

Sejam lactentes ou de transição, estes leites estão disponíveis em formulações distintas que permitem alimentar bebés com indicações particulares, como alergias, cólicas, obstipação e desconforto digestivo.

A escolha do leite ou da fórmula infantil é, geralmente, feita em consonância com o pediatra. Mas há alguns cuidados a ter na escolha dos acessórios e no modo de preparar o biberão:

  • Na escolha do biberão, deve contemplar a capacidade, a abertura e o material;
  • Na escolha da tetina, deve ter em atenção o material, a forma e o fluxo do leite;
  • Na hora de preparar o biberão, há alguns passos a seguir:
    • Esterilize o biberão e a tetina.
    • Adicione o pó, respeitando a medida indicada, a água morna previamente fervida e misture bem.
    • Verifique a temperatura do leite: deite umas gotas nas costas da sua mão e se o leite estiver à temperatura do seu corpo, pode dá-lo ao bebé.
    • Se o bebé não beber todo, rejeite a sobra.
    • Se preparar o leite com antecedência, guarde-o no frio, mas não por mais de 24 horas.
    • Na hora de alimentar o bebé, aqueça-o, mas nunca no micro-ondas
    • Rejeite o leite que esteja fora do frigorífico por mais de uma hora depois de preparado.

Tal como para amamentar, escolha uma posição confortável (para ambos) para dar o biberão ao seu bebé:

  • Sente-se com as costas apoiadas, utilize uma almofada para apoiar o seu braço e o corpo do bebé.
  • Apoie a cabeça do bebé no seu braço e aconchegue-o junto ao seu corpo.
  • Incline o biberão, com a tetina cheia de leite, de modo a diminuir a ingestão de ar.
  • Quando o bebé terminar, coloque-o numa posição ereta, para que arrote: assim liberta o ar que tiver engolido.

 

Sono seguro

Diz-se que os bebés passam a vida a dormir e não é completamente errado: um recém-nascido dorme, de facto, a maior parte do tempo, não importando se é de dia ou se é de noite. É normal que durma 18 horas por dia, dez das quais em período noturno. E vai começando a dormir um pouco menos à medida que cresce.

Nas primeiras semanas de vida, o bebé não distingue o dia da noite, com os ciclos de sono e vigília a repartirem-se ao longo das 24 em períodos de 3 a 4 horas. É, por isso, natural que acorde uma ou duas vezes de noite, até porque terá fome.

Estes primeiros tempos, podem ser desgastantes para os pais, já que, também eles, acordam de noite. Mas é importante que se estabeleça uma rotina o mais cedo possível, desde logo colocando o bebé no berço sempre que está na altura de dormir, assim, ele vai associando o berço ao sono.

Igualmente importante é que se adotem algumas medidas de segurança:

  • Deite o bebé de costas, para prevenir a chamada síndrome da morte súbita (diagnóstico dado quando um bebé morre sem razão aparente)
  • Retire do berço tudo o que possa interferir com a respiração, como almofadas e peluches.
  • Evite roupa de cama com fitas e fios, pois, com os movimentos, podem enrolar-se no pescoço do bebé.
  • Se estiver noutra divisão da casa, use um intercomunicador, assim, pode ouvir o seu bebé.

 

Porque chora o bebé?

O choro do bebé é o sinal por que todos os que estão na sala de parto, mãe e acompanhante e equipa médica, anseiam. É o primeiro sinal de vida e, por isso mesmo, fonte de grande emoção.

Mais tarde, já em casa, o choro do bebé pode ser fonte de ansiedade: afinal, parece que o bebé chora por tudo e por nada e pode ser difícil descodificar o choro e atender às necessidades do bebé.

Na verdade, o choro é a forma que o bebé tem de comunicar. E, além de manifestar aos pais as suas necessidades – se tem fome, calor, frio, sono, a fralda molhada ou suja, etc. – também chora como reação ao mundo exterior, por exemplo aos sons. E, por vezes, chora inconsoladamente, sem uma razão aparente e sem que os pais o consigam acalmar.

 

A hora das cólicas

Uma das causas comuns do choro do recém-nascido são as cólicas: costumam manifestar-se entre a terceira e a sexta semana de vida e desaparecem pelo terceiro ou quarto mês. Não há muito a fazer, a não ser tentar aliviar o incómodo do bebé.

Como?

  • Embale-o enquanto anda ou sente-se numa cadeira de baloiço.
  • Coloque-o de barriga para baixo e massaje-lhe as costas.
  • Vá dar um passeio de carro: a vibração tende a ser calmante.
  • Tente que arrote com mais frequência durante as refeições.
  • Naturalmente que é preciso estar atento a sinais que possam indicar que é algo mais grave: como alteração no reflexo de sucção, perda de peso, alteração na consistência das fezes, febre elevada. Nesse caso, há que procurar ajuda médica.

É verdade que as cólicas podem causar muita ansiedade aos pais, que se sentem impotentes perante o choro infantil, mas a boa notícia é que tendem a passar.

 

As primeiras vacinas

As vacinas são o meio mais eficaz e seguro de proteção contra certas doenças. E mesmo quando não oferecem proteção total, proporcionam maior resistência à doença. Daí que as primeiras vacinas sejam dadas logo após o nascimento:

  • Ao nascer, BCG (contra a tuberculose) e 1ª dose da VHB (contra a hepatite B);
  • Aos 2 meses, 2ª dose da VHB, 1ª dose da Hib (doenças causadas pelo vírus Haemophilus Influenzae tipo b), 1º dose da DTPa (difteria, tétano e tosse convulsa) e 1ª dose da VIP (poliomielite);
  • Aos 4 meses, 2ª dose da Hib, 2ª dose da DTPa e 2ª dose da VIP.

Estas vacinas fazem parte do Plano Nacional de Vacinação pelo que são administradas gratuitamente nos centros de saúde.

 

Seguros para viajar

A segurança deve estar em primeiro lugar quando o bebé sai de casa. Os cuidados começam, aliás, logo à saída da maternidade, devendo o bebé estar acomodado num sistema de retenção próprio, que tanto se adapta a um dispositivo para ser empurrado à mão, como ao assento do automóvel.

No automóvel, é mesmo obrigatório o uso de um sistema de retenção, sendo a sua ausência ou uso incorreto punível por lei.

Assim, os recém-nascidos devem ser transportados numa cadeirinha do tipo 0+, adequada para bebés até aos 13 quilos: usam-se sempre voltadas para trás, com um cinto de três pontos, de preferência no banco de trás, sendo possível o seu uso no banco da frente desde que não haja airbag central ou esteja desativado.

Há alguns cuidados a observar para que a viagem corra sem sobressaltos:

  • Respeite as recomendações do fabricante;
  • Respeite os critérios de idade, altura e peso de cada modelo;
  • Certifique-se de que o ovo está bem colocado e fixo;
  • Verifique se os cintos de segurança estão bem ajustados.

E já agora:

  • Use uma proteção nos vidros, para evitar que o sol incida sobre o bebé;
  • Nunca deixe o bebé sozinho no carro, mesmo que por segundos.

 

Viajar de avião

Uma dúvida constante dos pais é sobre quando podem viajar de avião com o seu bebé. A verdade é que não existem normas oficiais que decretem uma idade mínima para poder viajar com um bebé, mas o ideal é esperar que este atinja um mês e meio de vida. Só nesta fase se saberá se o bebé sofre de algum problema de saúde, que possa ser agravado pela viagem. Outra das razões é que durante o primeiro mês de vida, os recém-nascidos são bastante vulneráveis a vírus e infeções. Estar fechado num ambiente como o do avião – durante várias horas – não é aconselhável.

No entanto, se for mesmo necessário viajar com o bebé antes deste tempo deverá consultar um médico e pedir-lhe opinião.

É importante que na altura da viagem o bebé não esteja constipado, com tosse ou dor de ouvidos. As companhias de aviação têm as suas próprias normas relativamente à idade dos bebés para a primeira viagem. Se umas permitem viajar com bebés a partir do 7º dia de vida destes, outras impõem um limite de duas semanas.

Ao viajar de avião com um bebé deve:

– No momento da descolagem colocar a chupeta ou o biberão no bebé, de forma a que ao chuchar exista uma equalização da pressão nos ouvidos.

– Assegurar-se que o bebé ingere líquidos suficientes durante o voo.

– Se for para destinos tropicais ter em conta as vacinas.

– Informar a companhia aérea que irá viajar com um bebé.
Depois dos nove meses de gravidez, os primeiros tempos após o nascimento podem ser geradores de ansiedade. É verdade que existem muitas dúvidas e receios, mas também é certo que esta fase é rica em descobertas e experiências únicas. Esta é uma nova fase da sua vida, da qual não vai querer perder nada.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde, nem a consulta de um médico e/ou especialista.