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Problemas de fertilidade?

Quando há obstáculos ao desejo de ter um filho, o essencial é ter consciência do problema e procurar ajuda. A ciência já avançou muito nas chamadas técnicas de reprodução medicamente assistida e são cada vez mais os bebés assim concebidos.

Quando o casal pretende ter um filho e tenta um ano consecutivo, com relações sexuais frequentes e sem contraceção, mas não consegue, é a altura de procurar ajuda médica. Tanto o médico assistente, como o ginecologista ou o urologista podem ser a porta de entrada no sistema, desde logo para avaliar se existe, de facto, um problema de fertilidade ou se é outra a causa da dificuldade em conceber. O primeiro passo é a elaboração da história clínica de ambos e a avaliação da condição física, avançando-se posteriormente para testes mais direcionados.

Se o diagnóstico apontar para a [glossary]infertilidade[/glossary], ambos os membros do casal são sujeitos a exames clínicos – entre eles, análises hormonais, ecografias ginecológicas e espermogramas. Visam apurar se o problema é feminino ou masculino, embora, com frequência, haja uma combinação de fatores a influenciar a dificuldade de ter um filho e não uma causa única. Além disso, há casos em que a infertilidade permanece por explicar.

Restaurar a fertilidade

A ciência deu já muitas respostas para o problema da [glossary]infertilidade[/glossary]. O tratamento depende, no entanto, da causa, da duração da [glossary]infertilidade[/glossary] e de outros fatores individuais, sendo que há causas que não são passíveis de correção.

Uma das abordagens passa por tentar restaurar a fertilidade. Como? Desde logo aumentando a frequência das relações sexuais, para, assim, aumentar as probabilidades de conceção. Mas também tentando corrigir algumas das causas clínicas.

No caso da mulher

  • Através de situações de [glossary]disfunção ovulatória[/glossary], procurando regular ou induzir a ovulação através do uso de medicamentos.
  • Nas situações de obstrução das trompas de Falópio, realizando uma cirurgia, com recurso a laparoscopia, por exemplo, para reparar os bloqueios e outras lesões.

No caso do homem:

  • Aumentando a quantidade de espermatozoides com recurso a medicamentos ou, se o problema for hormonal, recorrendo a terapia para aumentar os níveis de testosterona.
  • Se a origem for uma doença do aparelho reprodutor intervindo cirurgicamente para o corrigir, ou tratando problemas relacionados com os testículos.
    Por vezes, pode ser apenas necessário introduzir mudanças no estilo de vida: limitar o consumo de álcool, moderar a prática desportiva, no caso dos homens evitar ambientes, como saunas, que aumentem a temperatura escrotal (o que afeta a produção de espermatozoides) e adotar técnicas de gestão do stress.

Fertilidade medicamente assistida

Há situações, porém, em que a única alternativa para tentar conceber um filho reside nas chamadas técnicas de reprodução medicamente assistida:

  • Fertilização in-vitro – É a técnica mais clássica e usada, em geral, nas situações de ausência de ovulação espontânea. Consiste em estimular o ovário com medicação hormonal, de modo a aumentar o número de óvulos. São depois aspirados pela vagina e, em ambiente laboratorial, juntam-se-lhes os espermatozoides. O produto resultante desse “encontro” é transferido para o útero.
  • Inseminação intrauterina – É mais indicada quando a infertilidade tem causas psicológicas ou decorre de problemas ligeiros de ovulação. Começa com a lavagem do esperma em laboratório e seleção dos espermatozoides mais aptos, que são depois colocados na cavidade uterina, seguindo o seu percurso até aos ovócitos. As hormonas femininas foram entretanto estimuladas, de modo a aumentar a produção de ovócitos (célula primitiva do ovário) e, com ela, as probabilidades de fecundação.
  • Microinjeção intracitoplasmática – É utilizada em casos graves de infertilidade masculina. Os ovários são estimulados e os ovócitos aspirados, colocados em cultura e depois injetados com espermatozoides, regressando então ao corpo feminino, para serem depositados no útero.
  • Transferência intrafalopiana de gâmetas – Consiste na remoção dos óvulos dos ovários e na sua transferência, juntamente com os espermatozoides, para as trompas de Falópio, onde se dá a fecundação.
  • Transferência intrafalopiana de zigotos – A fecundação ocorre em laboratório, sendo transferidos para as trompas de Falópio os chamados zigotos, isto é, óvulos fertilizados em que ainda não ocorreu divisão celular.
  • Esperma ou óvulos de dador – É o último recurso, quando as demais técnicas falham. O casal recorre a óvulos ou esperma de dador para conseguir procriar. No caso dos óvulos, estes serão inseminados com os espermatozoides do membro masculino do casal e transferidos para a recetora de forma a originar embriões. No que refere à doação de esperma, este é inseminado nos órgãos reprodutivos do membro feminino do casal.

Um longo caminho

O diagnóstico de [glossary]infertilidade[/glossary] é doloroso, independentemente das causas identificadas e independentemente de haver respostas médico-científicas. É um momento de grande impacto individual para o casal. Mas felizmente, hoje, problemas de fertilidade podem ser ultrapassados. As técnicas de reprodução medicamente assistida conseguiram dar uma nova esperança a todos os que pensaram nunca vir a ser pais. No entanto, é preciso saber que este é um caminho longo e sem garantias de sucesso. A ajuda psicológica é essencial em todo este processo, para ajudar a superar etapas. O apoio de todos é decisivo, dos profissionais de saúde, dos familiares e dos amigos. São cada vez mais os exemplos que dão esperança a quem (des)espera por um filho. A verdade é que são cada vez mais os filhos da ciência. Muito se avançou desde 1986, o ano em que nasceu o primeiro “bebé proveta” português.

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