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Hérnia Discal

A hérnia discal é um problema de saúde que resulta do desgaste ou rutura dos discos intervertebrais, que servem de almofadas protetoras entre as vértebras da coluna. Os discos intervertebrais são feitos de um núcleo de gel mole, envolvido por uma armação exterior fibrosa mais densa e forte. Esta estrutura permite que o disco seja suficientemente firme para manter o espaço entre as vértebras mas, ao mesmo tempo, suficientemente permeável para suportar os movimentos.

Com a passagem do tempo, a estrutura exterior rígida do disco pode desenvolver uma área de fraqueza ou uma pequena ruptura. Quando isto acontece, parte do núcleo interior mole do disco sai da sua posição normal produzindo uma situação que se denomina de hérnia discal.

Há três segmentos distintos da coluna vertebral onde pode ocorrer uma hérnia discal:

• Cervical – entre as vértebras no pescoço.

• Torácica – entre as vértebras do tórax.

• Lombar – entre as vértebras na parte inferior da coluna, acima da bacia.

As hérnias discais mais comuns são as da região lombar, sendo raras as da região torácica (que existem na proporção de 1 em cada 200 a 400 casos de hérnias discais).

Causas da Hérnia Discal

As hérnias discais parecem resultar de uma combinação dos seguintes factores:

• Envelhecimento do disco – o envelhecimento é, possivelmente, o fator que mais contribui para o desgaste da armação exterior do disco, que parece, com o passar do tempo, sofrer uma degenerescência lenta. As hérnias são mais comuns em pessoas entre os 35 e os 55 anos.

• Fatores genéticos – em algumas famílias, vários membros sofrem de hérnias discais. Se a doença tem uma característica familiar, pode ter um início mais precoce, afetando mesmo pessoas com menos de 21 anos de idade (atualmente começam a ser identificados genes específicos ligados a formas hereditárias de doença discal).

 Fatores individuais, como prática de desportos que envolvam levantar grandes pesos ou trabalhos que obriguem a pessoa a levantar-se e a baixar-se de forma constante.

Sintomas da Hérnia Discal

O sintoma principal é a dor nas costas, na área do disco afetado.

Na região cervical

  • Dor no pescoço, ombro, omoplata, braço ou tórax.
  • Dormência ou fraqueza no braço ou dedos (podendo eventualmente confundir-se com uma doença cardíaca).
  • Podem ocorrer dores de cabeça e alterações na micção.

Na região torácica

  • Dor na parte superior das costas, parte inferior das costas, tórax, abdómen ou pernas.
  • Dor associada com fraqueza e dormência numa ou ambas as pernas. Pode haver incontinência fecal ou vesical (bexiga).

Na região lombar

  • Muitas pessoas sofrem de dor intermitente e ligeira na parte inferior das costas durante anos, antes de um acontecimento precipitante agravar os seus sintomas (levantar pesos, torção abrupta).
  • Dor forte que se estende desde a coxa até à perna. Esta dor denomina-se de dor ciática, uma vez que surge de pressão nas raízes nervosas que compõem o nervo ciático. Tem início na parte inferior das costas, irradia para as nádegas e para a parte de trás da coxa e perna. A dor ciática agrava-se, tipicamente, com o movimento.
  • Dormência, formigueiro ou fraqueza muscular na nádega ou na perna, do lado da dor.
  • Em formas mais raras e mais graves de hérnia discal lombar, o nervo é comprimido de forma mais extensa, podendo desenvolver sintomas adicionais, incluindo dor retal, perda de controlo do intestino e da bexiga; e dormência em redor da área genital, nádegas ou parte de trás das coxas.
hérnia discal

A vermelho surge a inflamação na região cervical da coluna vertebral onde se localiza a hérnia cervical.

Tratamento da Hérnia Discal

O diagnóstico baseia-se na colheita da história clínica do doente e da realização de exame físico minuncioso de forma a excluir outras doenças que possam provocar dores nas costas, como cancro ou uma infeção óssea das vértebras.

Pode ser recomendada a realização de radiografias à coluna, Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou uma Ressonância Magnética Nuclear (RMN). É necessário ter em conta que estes exames podem mostrar anomalias do disco mesmo em pessoas sem sintomas, pelo que os resultados devem ser interpretados cuidadosamente, uma vez que é comum encontrar anomalias que não têm repercussão clínica.

Na maioria das pessoas, a dor nas costas (lombalgia) melhora, gradualmente, após quatro a seis semanas de tratamento.

A hérnia discal responde, normalmente, ao tratamento conservador. O tratamento implica:

  • Repouso no leito (durante um ou dois dias).
  • Banhos com água quente.
  • Almofadas de aquecimento.
  • Medicamentos, tais como fármacos anti-inflamatórios não-esteróides (AINE) ou relaxantes musculares.
  • Medicamentos, tais como corticosteróides orais, embora haja dúvidas sobre os benefícios deste tratamento.
  • Ao fim de uma a duas semanas, é recomendado um programa de exercícios, que pode incluir caminhada, bicicleta, natação e fisioterapia.
  • Outros tipos de tratamento com muito bons resultados, incluem ultra-sons, massagem e acupunctura.

Caso tenha havido perda de controlo de fezes ou da urina , se a pessoa apresentar evidência de lesão nervosa progressiva ou se tiver dor intensa que persista apesar de semanas de tratamento conservador, pode haver necessidade de tratamento, incluindo cirúrgico.

Na maioria dos casos, isto significa remover o fragmento do disco herniado.

Prevenção

Em muitos casos não é possível evitar uma hérnia discal. Contudo, há alguns comportamentos que podem ajudar a evitar a recorrência de crises.

• Evitar atividades que requeiram levantar pesos ou flexões repetitivas.

• Praticar uma boa postura.

• Manter um peso saudável.

• Seguir um programa de fisioterapia direcionado para o aumento da força muscular da região lombar e para melhorar a flexibilidade do abdómen.

• Praticar exercício de forma regular, particularmente, natação e caminhada.

 

Artigo revisto e validado pelo especialista em Medicina Geral e Familiar José Ramos Osório.
Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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