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Meningite

O que é a meningite

A meningite é uma inflamação aguda ou crónica das meninges (membranas que envolvem o cérebro e a espinal medula). Manifesta-se de forma mais ou menos acentuada, por sintomas de síndrome meníngea (febre, cefaleias, vómitos, convulsões, rigidez da nuca, delírio, estrabismo e sonolência).

 

Causas

A causa pode ser traumática, infeciosa (bacteriana, vírica ou parasitária) neoplásica, metastática ou tóxica. As meningites mais frequentes são de etiologia bacteriana – em geral secundárias a uma infeção com outra localização orgânica – e as virais, de evolução mais benigna. Dada a proximidade das meninges com os órgãos nobres do sistema nervoso central, a meningite é classificada como uma emergência médica.

Os adultos podem adoecer gravemente no período de 24 horas. As crianças mais velhas e os adultos podem tornar-se irritáveis, confusos e cada vez mais sonolentos. Este estado pode progredir para o torpor, coma e levar à morte. A meningite viral é mais frequente em crianças de um mês a dois anos de idade, sendo a meningite bacteriana mais frequente nos adultos jovens.

 

Tipos de Meningite

A meningite viral pode ser causada por diversos tipos de vírus e é a forma mais comum e menos perigosa de meningite. Os vírus causadores da meningite podem ser transmitidos por alimentos mal preparados, água contaminada e através de objetos.

Mais de 80% das meningites bacterianas são provocados por três espécies de bactérias: Neisseria meningitidis, Hemophilus influenzae e Streptococcus pneumoniae – que existem normalmente no ambiente que nos rodeia e que podem encontrar-se no nosso aparelho respiratório, sem provocar qualquer dano. Contudo, de forma ocasional, estes microorganismos podem tornar-se nocivos. Doenças crónicas do nariz ou ouvido, lesões cranianas (em que haja um orifício aberto) – doenças crónicas de nariz e ouvidos, ou défices de imunidade, tornam o organismo suscetível à infeção.

A meningite fúngica é a menos comum, podendo levar ao quadro crónico da doença. Os seus efeitos podem ser idênticos ao da meningite bacteriana, mas a meningite fúngica não é contagiosa.

 

Imagem do cérebro que mostra as meninges (membranas que envolvem o cérebro e a espinal medula).

Imagem do cérebro que mostra as meninges (membranas que envolvem o cérebro e a espinal medula).Assim:

Assim:

Streptococcus pneumoniae (pneumococo) – responsável por um grande número de pneumonias é a bactéria que mais provoca meningites. A vacina contra a meningite deste tipo é uma medida profilática eficaz contra a ação desta bactéria. Em Portugal, a vacina contra a meningite não integra o plano nacional de vacinação.

Neisseria meningitidis – é outra das bactérias comuns. Espalha-se pela corrente sanguínea após uma infeção no trato respiratório e é extremamente contagiosa. Afeta principalmente adolescentes e jovens adultos.

Haemophilus influenzae – tendo sido a principal causa de meningite nas crianças, é hoje bastante menos frequente, devido à existência da vacina.

Listeria monocytogenes – a maioria das pessoas expostas a essa bactéria não manifestam sintomas, mas mulheres grávidas, pessoas com imunidade comprometida, recém-nascidos e idosos constituem grupos suscetíveis.

 

Sintomas

  • Dor de cabeça e rigidez de nuca (impossibilidade de levar o queixo ao peito).
  • Febre ou temperatura corporal anormalmente baixa.
  • Dificuldade respiratória.
  • Confusão mental.
  • Alteração do nível de consciência.
  • Vómitos.
  • Intolerância à luz (fotofobia) ou a sons altos (fonofobia).
  • Em crianças pequenas, podem estar apenas presentes sintomas inespecíficos, como irritabilidade e sonolência.
  • A presença de uma erupção cutânea pode indicar um caso particular de meningite – causada por bactérias do tipo meningococos.
  • Em 25% dos recém-nascidos afetados, a maior pressão do líquido à volta do cérebro pode fazer com que as fontanelas (as partes moles localizadas entre os ossos do crânio) se avolumem ou se notem tensas ao tacto.
  • Em 15% dos casos, o pescoço do bebé pode estar rígido. Os nervos que controlam alguns movimentos oculares e faciais podem ficar lesados, fazendo com que um olho se desvie para dentro ou para fora ou que a expressão facial não se apresente simétrica.
  • É possível que haja acumulação de pus (abcessos) dentro do cérebro do bebé. À medida que estes crescem, a pressão intracraniana aumenta, provocando vómitos, dilatação da cabeça e abaulamento das fontanelas. Um repentino agravamento destes sintomas indicia que um destes abcessos se rompeu, provocando o alastramento da infecção.

A infeção provoca inflamação dos tecidos cerebrais e impede o afluxo sanguíneo ao cérebro, o que produz sintomas de um acidente vascular cerebral como uma paralisia, podendo em alguns casos, haver convulsões.
A punção lombar pode ser usada para diagnosticar ou excluir um quadro de meningite. O procedimento envolve a inserção de uma agulha no canal medular para extração de uma amostra de líquor, o líquido que envolve o encéfalo e a medula espinal.

 

Grupos de Risco

O grupo de risco é classificado pela idade e varia de acordo com a causa da doença. As pessoas mais suscetíveis são:

  • Crianças (sobretudo as que frequentam infantários e se encontram em idade escolar).
  • Grávidas.
  • Idosos (sobretudo os que se encontram em instituições).
  • Pessoas com o sistema imunitário comprometido.
  • Indivíduos que frequentam centros urbanos, espaços fechados e com muitas pessoas.

 

Tratamento

O tratamento para a meningite viral é normalmente dispensável, uma vez que a doença tende a desaparecer sozinha após algumas semanas. São aconselhadas medidas como: repouso, ingestão de líquidos e o uso de medicamentos para alívio de dores. Em casos específicos, pode ser administrado um antiviral.

O tratamento habitual para a meningite bacteriana passa pela administração de elevadas doses de antibióticos por via endovenosa. Podem ser igualmente usados corticoides  para prevenir complicações inflamatórias. A meningite pode ter complicações sérias a longo prazo como epilepsia, hidrocefalia e défice cognitivo, especialmente se não tratada rapidamente. Algumas formas de meningite, como aquelas associadas com meningococo, haemophilus influenzae tipo B, pneumococo ou vírus da caxumba, podem ser prevenidas através da vacinação.

Das crianças afetadas por meningite bacteriana 30% não resiste à infeção.

A meningite fúngica trata-se por meio de fungicidas. Este tipo de medicamentos pode, contudo, apresentar diversos efeitos colaterais.
 

Artigo revisto e validado pela especialista em Medicina Geral e Familiar Isabel Braizinha.
Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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