Enxaqueca: saiba o que a caracteriza e como prevenir

Enxaqueca: saiba o que a caracteriza e como prevenir

Não é uma dor de cabeça vulgar, pois para que uma enxaqueca seja assim designada é necessário um diagnóstico médico com base em diversos sinais e sintomas. A neurologista Raquel Gil Gouveia explica quais são e como se trata e previne a enxaqueca.

Enxaqueca: saiba o que a caracteriza e como prevenir

 

As descrições de quem padece de enxaqueca passam sempre, invariavelmente, por relatos de grande sofrimento, reveladores do forte impacto que esta doença neurológica tem na qualidade de vida dos doentes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a enxaqueca é a sexta doença mais prevalente a nível mundial, afetando cerca de 1 a 1,09 mil milhões de pessoas, e é também a segunda causa de anos vividos com incapacidade. De acordo com Raquel Gil Gouveia, presidente da Sociedade Portuguesa de Cefaleias, “o sintoma predominante é a dor de cabeça, que habitualmente é sentida apenas num dos lados da cabeça – de onde resulta o nome enxaqueca, derivado do árabe, que significa meia cabeça – e, se não for tratada, é latejante, intensa e incapacitante”.

Todavia, a médica realça que “apenas a dor de cabeça não permite o diagnóstico; para tal, há outros sintomas e sinais [ver caixa] que são necessários estar presentes, assim como a avaliação do padrão temporal das crises, em termos de duração e frequência”. Com efeito, “por definição, uma crise não tratada dura entre 4 e 72 horas e tem de se repetir regularmente”, esclarece a neurologista do Hospital da Luz, em Lisboa, acrescentando que, “embora não haja um número de repetições mensais considerado para o diagnóstico, é relativamente raro, na enxaqueca comum, passar muito mais de um mês sem ocorrer uma crise”.

Quanto ao diagnóstico, este é feito essencialmente pela avaliação da história clínica e observação do doente, tendo em conta que “não é necessário nenhum exame complementar de diagnóstico para o fazer”.  


 Muito mais que uma forte dor de cabeça

 Além da cefaleia (dor de cabeça), que é intensa e muito específica, Raquel Gil Gouveia destaca outros   sinais e sintomas que podem acompanhar as crises de enxaqueca:

  • Sintomas gastrintestinais – Anorexia, náuseas, vómitos ou diarreia;
  • Intolerância a estímulos externos – Sobretudo luz, ruído e cheiros;
  • Sensibilidade a certos movimentos – Baixar ou tocar na cabeça, por exemplo;
  • Sintomas cognitivos – Dificuldade em raciocinar, pensamento mais lento, falta de concentração, dificuldade em gerir várias informações ao mesmo tempo;
  • Alterações de humor – Irritabilidade, impaciência, tristeza ou frustração;
  • Sintomas autonómicos – Olhos vermelhos e/ou inchados, lacrimejo, palidez, olheiras, nariz tapado ou a pingar;
  • Alterações sensoriais – Zumbidos, tonturas, vertigens, visão turva ou desfocada, entre outros;
  • Aura – Fenómeno que atinge cerca de 15% das pessoas com enxaqueca e que se manifesta habitualmente antes do início da crise, traduzindo-se por dificuldade visual causada por distorções das imagens, clarões, brilhos, visão em arco-íris ou como que submersa; depois pode ser seguido por formigueiros numa mão, face, boca ou língua e dificuldade em articular as palavras, podendo até haver uma incapacidade transitória de falar.

 

Mulheres mais afetadas

As pessoas com menos de 50 anos de idade e as mulheres são as mais afetadas pela enxaqueca, sendo esta “a primeira causa de anos vividos com incapacidade nas mulheres jovens”, destaca a especialista, segundo a qual, as mulheres sofrem três vezes mais desta doença do que os homens. Quanto à razão para a discrepância observada entre géneros, tal prende-se sobretudo “com os níveis e a influência dos estrogénios no cérebro e no processo da perceção e transmissão da dor, em geral, mas da enxaqueca em particular”. “Não só as mulheres têm enxaqueca mais frequentemente do que os homens, como têm habitualmente doença mais grave, ou seja, mais crises, mais prolongadas e mais intensas”, sublinha Raquel Gil Gouveia, acrescentando que “ao longo do ciclo fértil, a expressão da enxaqueca sofre modificações, isto é, piora na menarca e nas menstruações, melhora nas gravidezes e na menopausa”.

Segundo a neurologista, “a probabilidade de sofrer de enxaqueca é geneticamente determinada, pelo que se considera tratar-se de uma doença familiar”, ou seja, “se há um caso na família, todos os familiares têm mais risco de ter”, sendo a probabilidade maior no caso dos elementos do género feminino. Considera-se ainda a existência de “formas muito raras de enxaqueca que podem ser geneticamente herdadas, transmitidas de pais para filhos sem poupar gerações, mas são casos severos e muito pontuais”, salienta.


Como prevenir? Evitando os “gatilhos

Há vários fatores que contribuem para desencadear as crises de enxaqueca, fazendo com que estas aconteçam com mais frequência. Para as prevenir há que ter em conta os “gatilhos”, evitando os que se aplicam caso a caso. Estes são alguns dos mais comuns:

  • Oscilações rápidas após momentos de ansiedade ou de stress;
  • Variação das horas de sono;
  • Alteração dos horários das refeições;
  • Variação da quantidade ingerida de água ou café;
  • Menstruação/contraceção hormonal;
  • Alguns alimentos e bebidas, como álcool, chocolate, citrinos, queijo, enchidos, adoçante;
  • Medicamentos, sobretudo o uso excessivo de analgésicos e/ou anti-inflamatórios.

 

A enxaqueca tem tratamento?

A enxaqueca é uma doença que pode ser bastante incapacitante, mas felizmente tem tratamento. De acordo com Raquel Gil Gouveia, existem vários tipos de tratamentos, os quais podem incluir a toma de fármacos ou passar por alterações no estilo de vida, nomeadamente, adoção de planos de exercício ou técnicas de relaxamento e/ou alívio da dor, entre outras. Os tratamentos farmacológicos podem também ser agudos – isto é, destinados a controlar a crise quando ela surge – ou preventivos, para diminuir a frequência das crises, mas também a sua duração e intensidade.

A eficácia global do tratamento é de cerca de 70 a 80%, no entanto, os diferentes tratamentos têm eficácia e tolerância diferentes em cada pessoa e em cada fase da vida, por isso, é sempre necessário avaliar a situação caso a caso”, refere. Nas suas palavras, “nalgumas pessoas, num dado momento, pode ser aplicável uma determinada estratégia que será inadequada noutro momento”, pelo que “não há uma cura nem há uma fórmula mágica que resulte sempre, em todas as pessoas e em todos os momentos”.

Acima de tudo, o que se recomenda é que se procure apoio médico especializado “quando a enxaqueca limita ou comanda a vida”, até porque existem já diversas consultas nos hospitais do país orientadas para o diagnóstico e tratamento da enxaqueca.

 

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