Olho seco: descubra o que pode fazer para evitar

Olho seco: descubra o que pode fazer para evitar

Há quem lhe chame a doença ocular do século XXI, por ser cada vez mais frequente. Olhos vermelhos, ardor e comichão são alguns dos sintomas da secura ocular, problema que pode ser prevenido ou minorado se se adotarem alguns comportamentos, como realça a optometrista Valerica Vicleanu.

Olho seco: descubra o que pode fazer para evitar

A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia refere-se ao olho seco como “um importante problema de saúde pública por alterar as atividades quotidianas e a qualidade de vida do indivíduo” e a verdade é que o impacto que este problema de saúde ocular tem nas rotinas de quem dele sofre é muito superior ao que, por vezes, se imagina. Diz-se que alguém sofre de olho seco – ou da síndrome de olho seco – quando não dispõe de lágrimas em quantidade ou qualidade suficientes para manter os olhos lubrificados, o que é uma condição indispensável à boa saúde ocular.

Nos últimos anos, sobretudo devido a fatores relacionados com o estilo de vida (mas não só, como abordaremos mais à frente), este problema tem vindo a crescer, assumindo já dimensões preocupantes.

O que é o olho seco?

De acordo com Valerica Vicleanu, optometrista na Nacional Óptica de Algés, “o olho seco é uma disfunção do filme lacrimal, que pode englobar diversos fatores de natureza hormonal, meio ambiental, inflamatórios ou anatómicos”. Em causa está “uma irritação ocular crónica causada por uma insuficiência da secreção aquosa da glândula lacrimal, que conduz ao surgimento de danos na superfície ocular”, especifica.

Nas suas palavras, trata-se de “um problema muito comum”, estimando-se que atinja entre 20 e 50% da população mundial. As mulheres são mais afetadas do que os homens, assim como as pessoas idosas, já que “entre 6 e 15% da população com mais de 65 anos é sintomática”. A prevalência é grande, calculando-se que, “entre os pacientes que chegam à consulta de oftalmologia, cerca de 25% manifestam sintomas de secura ocular e 15% são diagnosticados com olho seco”. 


    Sintomas a que deve estar atento

    Entre os principais sintomas do olho seco contam-se:
    - Sensação de areia nos olhos;
    - Ardor;
    - Comichão;
    - Fotofobia (sensibilidade à luz);
    - Visão desfocada;
    - Necessidade de pestanejar mais vezes;
    - Halos ao redor das luzes;
    - Inflamação dos bordos palpebrais;
    - Lacrimejo frequente;
    - Dor, que pode ser intensa, nos casos mais graves.

 

Quais são os fatores de risco?

De acordo com a optometrista, “o problema aumenta todos os anos devido ao envelhecimento da população, aumento do consumo de certos medicamentos e devido a fatores irritativos e alérgenos ambientais”. Com efeito, entre os fatores de risco para o olho seco destacam-se, além da idade e do sexo feminino, o uso de lentes de contacto, ambientes secos e poluídos, exposição a sistemas de aquecimento ou ar condicionado, causas hormonais (défice de androgénio), a toma de alguns fármacos (diuréticos, anti-histamínicos, benzodiazepinas, antidepressivos, analgésicos, terapêutica pós-menopausa e anticoncetivos, entre outros), deficiência de vitamina A, e a realização de alguns procedimentos, como o transplante de medula óssea, radioterapia ou cirurgia refrativa.

Também podem estar na origem do olho seco algumas doenças, como hepatite C, artrite reumatoide, lúpus, sarcoidose, acne rosácea, alergias, diabetes e certas patologias oculares, como a disfunção das glândulas de Meibómio, localizadas nas pálpebras.

Ainda assim, um dos fatores que nas últimas décadas mais têm contribuído para o aumento dos casos de secura ocular relaciona-se com o uso excessivo de ecrãs, nomeadamente, de computador, telemóveis e tablets. A utilização continuada destes dispositivos promove a diminuição da frequência do pestanejar, aumentando a abertura palpebral e promovendo a evaporação da lágrima, o que acaba por levar ao olho seco.

 

Como se trata o olho seco?

Segundo Valerica Vicleanu, “o tratamento mais utilizado passa pela utilização de lágrimas artificiais para maior comodidade e melhor visão, as quais devem ser colocadas nos olhos várias vezes ao dia, conforme a necessidade”. Por vezes, a utilização deste tipo de colírios lubrificantes não é suficiente e pode ser necessário utilizar anti-inflamatórios, antibióticos ou até proceder à oclusão dos pontos lacrimais para evitar a drenagem das lágrimas. Neste caso, a consulta de um oftalmologista é imprescindível, pois este é o especialista indicado para as situações de maior gravidade.

A optometrista chama a atenção para os casos em que há uma disfunção ao nível das glândulas de Meibómio, o que também “implica uma consulta de oftalmologia”, nomeadamente “quando se verifica uma alteração crónica e difusa, normalmente caracterizada pela obstrução dos condutores terminais e mudanças qualitativas e/ou quantitativas da secreção glandular, o que pode resultar numa alteração do filme lacrimal, com sintomas de irritação ocular, inflamação clinicamente aparente e doença da superfície ocular”.     

 

Como prevenir o olho seco?

Além da utilização de lágrimas artificiais, há alguns exercícios e comportamentos simples que podem ser postos em prática diariamente, para ajudar a lubrificar a superfície ocular e diminuir a secura:
  • Realizar pausas para descanso ocular de 20 a 40 segundos a cada duas horas de utilização de ecrãs ou de trabalho usando a visão ao perto;
  • Pestanejar lentamente 15 vezes, pelo menos, enquanto se fixa um objeto no infinito;
  • Pôr em prática a regra dos 20-20-20, ou seja, após 20 minutos de trabalho frente a um ecrã, olhar para uma distância de 20 pés (aproximadamente 6 metros) e pestanejar durante 20 segundos;
  • Posicionar o ecrã a 50 centímetros de distância, ligeiramente abaixo do olhar;
  • Trabalhar num ambiente bem iluminado (mas evitando iluminação direta ou qualquer tipo de reflexo no ecrã);
  • Evitar ambientes poluídos, espaços com ar condicionado ou outros aparelhos de aquecimento;
  • Ao ar livre, proteger os olhos do sol e do vento com óculos escuros;
  • Evitar a leitura noturna sem descanso ocular;
  • Praticar uma alimentação saudável, incluindo alimentos ricos em vitamina A.
 
Prevenir e tratar corretamente a secura ocular é fundamental, já que “um filme lacrimal integrado e estável é essencial para manter uma visão nítida, boa transparência da córnea, proteger o olho de agressões externas e assegurar a unidade anátomo-funcional de diferentes estruturas do olho e dos seus anexos”, sintetiza a profissional de saúde, que realça a necessidade de se “cuidar da saúde visual sempre e não apenas quando esta dá sinais de alerta”.
 

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pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

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