AdvanceCare | Tratamentos de infertilidade: as soluções da medicina

Tratamentos de infertilidade: as soluções da medicina

Procurar ajuda especializada é o primeiro passo para enfrentar o problema da infertilidade. Atualmente, a medicina oferece várias respostas e ajuda inúmeros casais a realizar o sonho de ter um filho. Eis os tratamentos de infertilidade de que poderá ouvir falar em consulta.

Se depois de um ano de relações sexuais sem proteção não conseguir engravidar deverá procurar ajuda especializada. Na consulta, o médico irá avaliar os vários parâmetros, tanto femininos como masculinos, que podem ditar a infertilidade: genética, hormonas, ovulação, esperma, hábitos de vida, entre outros fatores. Além dos exames já realizados na consulta pré-concecional, a mulher deverá fazer análises hormonais e/ou genéticas e exames para avaliar o ciclo ovulatório, bem como o útero e trompas. No homem o principal exame é o espermograma, que determina a qualidade do esperma, mas podem ser indicados estudos genéticos ou hormonais. Atualmente, a medicina disponibiliza vários tratamentos de infertilidade.

Tratamentos de infertilidade

Inseminação intrauterina

Perante a suspeita de disfunção hormonal pode realizar-se uma estimulação ovárica, tratamento que permite induzir a ovulação através da administração de hormonas como a hCG por injeção subcutânea. Recomenda-se ter relações sexuais nos 3 dias seguintes ao tratamento para aumentar hipóteses de fecundação.

Quando os parâmetros analisados se apresentam normais (esperma, trompas, hormonas) mas, mesmo assim, a gravidez não acontece procede-se à estimulação hormonal com inseminação intrauterina. Primeiro é feita a monitorização e estimulação ovárica, via ecografia e injeção hormonal, respetivamente. Segue-se a recolha do esperma que é preparado para simular o processo no interior da vagina e, por fim, introduzido diretamente no útero por meio de um cateter. Este tratamento está indicado para casais com menos de 3 anos de infertilidade e idade da mulher inferior a 37 anos, período a partir do qual deverá recorrer-se a outras terapêuticas dada a probabilidade reduzida de gravidez espontânea.

Fertilização in vitro

Frequentemente designada pelas iniciais – FIV – esta abordagem consiste na fecundação do óvulo em laboratório e é utilizada quando a fecundação não se dá, mesmo após vários ciclos de estimulação ovárica ou inseminação intrauterina. Esta incapacidade pode dever-se a disfunção ovulatória, obstrução das trompas ou défices nas células reprodutoras (gâmetas). Após a monitorização da ovulação e da estimulação hormonal dos ovários, procede-se à colheita dos ovócitos por via transvaginal – punção realizada com controle ecográfico e anestesia. O homem, por seu lado, faz a colheita de sémen. Este será preparado para a fertilizar os óvulos da mulher em laboratório, permanecendo numa incubadora. Entre 2 e 6 dias mais tarde, é feita a transferência de 1 ou 2 embriões em consultório através de um cateter (não requer anestesia). Ao longo de todo o processo a mulher deverá tomar alguma medicação para preparar o organismo para a fecundação. A implantação do embrião só ocorre cerca de 8 dias depois, é um processo natural, e a gravidez é confirmada entre 12 e 14 dias depois por análise ao sangue. Caso não se concretize pode ser realizado um novo ciclo de tratamento, recorrendo aos embriões do casal não utilizados e que foram criopreservados.

Micro-injeção de gâmetas

Com um procedimento semelhante ao da FIV, existe outra técnica que consiste na introdução do espermatozoide diretamente no óvulo em laboratório, para posterior transferência dos embriões para o útero: a micro-injeção de gâmetas. Esta abordagem está indicada quando há vários ciclos de FIV sem sucesso ou problemas mais complexos, sobretudo no homem, como por exemplo: morfologia ou mobilidade alterada nos espermatozoides, azoospermia (ausência de esperma no ejaculado) ou outros problemas funcionais como a ejaculação retrógrada. É igualmente usada em homens seropositivos, uma vez que permite o tratamento de espermatozoides antes da introdução no óvulo. Dependendo do tipo de problema, a recolha do sémen pode implicar a realização de uma biópsia testicular (TESE) ou punção microcirúrgica (MESA) para recolha diretamente do tecido testicular (procedimento com anestesia). Em laboratório os espermatozoides são selecionados, preparados e purificados para serem então introduzidos diretamente no óvulo (previamente retirado e preparado como na FIV) através da injeção intracitoplasmática. Os restantes procedimentos de transferência de embriões são idênticos aos realizados na fertilização in vitro.

Doação de gâmetas

As técnicas de procriação medicamente assistida estão cada vez mais evoluídas, contudo existem situações em que a gravidez não é possível sem outro tipo de ajuda: o recurso a gâmetas (espermatozoides ou óvulos) doados. Esta abordagem consiste no uso de células sexuais de doador para a realização de tratamentos de inseminação intrauterina ou fertilização in vitro. É procurada em casos de incompatibilidade genética, ausência ou anomalias cromossómicas no sémen ou risco de transmissão de doença genética, no homem. No sexo feminino é usada quando há baixa reserva ou capacidade ovárica motivada pela idade, menopausa precoce ou tratamentos oncológicos, abortos espontâneos de repetição ou patologias como endometriose. Pode ainda  ser uma opção após vários tratamentos FIV ou de inseminação intrauterina sem sucesso ou nos casos de infertilidade inexplicada. O critério de seleção dos ovócitos doados baseia-se nas características genéticas da mulher recetora para garantir a maior semelhança possível. Os preparativos e técnicas de procriação medicamente assistida são idênticos aos realizados com gâmetas do casal: inseminação intrauterina ou fertilização in vitro.

Os tratamentos de infertilidade são uma opção procurada por muitos casais para conseguir a tão deseja gravidez. As abordagens da procriação medicamente assistida são diversas e visam dar resposta aos principais problemas de fertilidade através de tratamentos e técnicas laboratoriais com recurso às células sexuais do casal ou de dadores.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde, nem a consulta de um médico e/ou especialista.