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Coronavirus - tudo o que precisa de saber

Saiba o que é e como se proteger do novo coronavírus detetado na China.

A fácil transmissão do novo coronavírus detetado na China está a preocupar as autoridades sanitárias do mundo inteiro, mas o alarmismo não é a solução. De acordo com o infeciologista Vítor Laerte, é sim importante que se adotem os cuidados básicos para prevenir este tipo de infeções respiratórias.

Detetado recentemente na cidade chinesa de Wuhan, o novo coronavírus – denominado 2019-nCoV – tem vindo a disseminar-se, não só pela China, mas por outros países também, provocando a infeção e a morte de diversas pessoas. Para melhor compreender o que está em causa, evitando alarmismos desnecessários – mas ao mesmo tempo para que não se ignorem os riscos associados –, falámos com Vítor Laerte, especialista em doenças infeciosas e consulta do viajante na CUF. Antes de mais, para sabermos que tipo de infeção é esta, torna-se necessário compreender o que é um coronavírus. Segundo o clínico, “o coronavírus pertence a uma família de vírus que é responsável por cerca de 30% das infeções respiratórias que se registam nesta altura do ano”. Juntamente com o vírus da gripe e outros vírus respiratórios, costuma causar “sintomas ligeiros, como corrimento nasal, tosse e alguma febre, mas pouco mais que isso”.

O coronavírus é, portanto, um vírus comum a animais e seres humanos, conhecido há muito tempo. Todavia, este novo coronavírus é diferente dos outros, causando infeções respiratórias graves. De acordo com Vítor Laerte, tal alteração aconteceu porque “um dos coronavírus que apenas circulava entre animais conseguiu atravessar a barreira de transmissão e passou para o Homem. Como se trata de um vírus novo acaba por causar problemas mais graves do que os provocados pelos coronavírus que geralmente circulam entre seres humanos”. Ao haver esta passagem verifica-se também a possibilidade de “transmissão inter-humana”, ou seja, o contágio pessoa a pessoa.

Mais fácil de transmitir

Esta não é a primeira vez que um fenómeno do género acontece, isto é, em que um coronavírus passa a barreira da transmissão exclusiva entre animais e passa para o ser humano, provocando infeções respiratórias graves. Entre 2002 e 2003, registou-se a síndrome respiratória aguda grave (infeção provocada pelo coronavírus SARS-CoV) e mais recentemente, em 2012, a síndrome respiratória do Médio Oriente (infeção provocada pelo coronavírus MERS-CoV). “A diferença em relação ao atual coronavírus é que os anteriores provocavam infeções mais graves e uma letalidade também maior, as pessoas ficavam mais doentes e necessitavam de mais intervenção médica”, esclarece o clínico, acrescentando que “este coronavírus parece menos grave, é responsável por uma menor mortalidade, mas é capaz de se difundir muito mais facilmente, porque se transmite num período de tempo em que a pessoa ainda não apresenta sintomas, o que em termos de controlo dificulta muito e é por essa razão que este vírus está a afetar tanta gente”.

Tendo em conta o que se observa até ao momento, “a faixa etária dos 40 aos 60 anos parece ser a mais afetada”, nas palavras do infeciologista. Além disso, os indivíduos mais jovens e sem complicações de saúde que contraem o vírus, “ainda que possam evoluir para formas mais graves, geralmente recuperam da situação”. Já as pessoas que têm comorbilidades associadas, como doença respiratória crónica, imunodepressão ou idade avançada, “estão mais vulneráveis”, logo, a mortalidade por este coronavírus é maior nestes casos.

Quais são os sintomas?

Quanto aos sintomas a que as pessoas devem estar atentas, o especialista referiu que também essa é uma dificuldade associada ao diagnóstico desta infeção, tendo em conta que “os sintomas são muito parecidos com os de outras infeções respiratórias comuns nesta altura do ano”. “Pelo que está descrito, este vírus pode causar desde infeções de gravidade ligeira e com sintomas inespecíficos, como congestão nasal, indisposição, mal-estar, febre ligeira e tosse seca, até formas mais graves em que a pessoa tem tosse seca ou produtiva, dor torácica e dificuldade em respirar ou até falta de ar”, enumera, sendo que “a pneumonia viral pode ser uma das consequências, com a pessoa a poder ter necessidade de suporte médico com oxigénio ou até a precisar de cuidados intensivos”.

Não existe ainda qualquer tratamento específico para esta infeção viral, pelo que “é feito um tratamento sintomático e de suporte”, ou seja, são tratados os sintomas respiratórios e é garantido suporte ao funcionamento dos pulmões, se for  necessário. Também não existe nenhuma vacina, informa o médico, lembrando que mesmo que venha a ser desenvolvida, “dificilmente será utilizada nesta epidemia, neste momento, porque é necessário ter a certeza de que é mesmo eficaz e segura, o que requer algum tempo”.

Posso viajar para a China?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não proibiu, até ao momento em que este artigo é publicado, o tráfego internacional, apenas decretou estado de emergência de saúde pública internacional. Ainda assim, questionado sobre se é aconselhado viajar nesta fase de progressão da epidemia, o também especialista de saúde do viajante considera que “a viagem deve ser evitada, a não ser que seja indispensável”. “Na consulta do viajante avaliamos o risco e se a pessoa quiser ir pode, claro, porque não há proibição. Mas as recomendações são para se evitar as viagens que não sejam realmente necessárias”, esclarece.

Caso a decisão seja a de viajar, é conveniente seguir as recomendações da OMS e da própria Direção-Geral da Saúde (DGS), que passam não só pela etiqueta respiratória (ver CAIXA), mas também por indicações sobre o que fazer perante suspeita de doença durante a viagem ou depois, nomeadamente, ligar para a linha SNS 24 (808 24 24 24).

O que é que tenho mesmo de saber?

Quanto à dimensão que esta epidemia pode assumir, o clínico é taxativo: “É difícil prever. Neste momento, o vírus está em fase de expansão, ou seja, uma pessoa doente é capaz de o transmitir a três pessoas saudáveis suscetíveis e uma epidemia continua enquanto houver pessoas suscetíveis.” “Uma epidemia só acaba quando os suscetíveis se esgotam, ou seja, quando todas as pessoas ficam imunes pelo contacto com o vírus ou por meio de medidas de controlo, algo que a OMS já está a fazer ao acionar o mecanismo de emergência sanitária internacional e, com isso, medidas de controlo mais estritas são tomadas”, sustenta o médico.

Mas mesmo que se desconheça o número de pessoas que podem vir a ser afetadas, há muitas coisas que podem ser feitas, mesmo a nível individual. Vítor Laerte deixa claro que “quando uma doença chega a uma comunidade, as pessoas têm de se envolver para ajudar ao seu controlo, devem estar conscientes de que é importante a sua participação para evitar que se dissemine, ou seja, tem de haver consciência individual e aceitar que as pessoas doentes, por exemplo, devem ficar em casa”. Ao mesmo tempo que sublinha a importância de não haver alarmismos, salienta também a relevância da partilha de informação sobre a doença, bem como a divulgação das formas de contactar as autoridades de saúde do país. Em Portugal, a linha SNS 24 (808 24 24 24) está disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, para o esclarecimento de dúvidas, sendo que em caso de necessidade, as pessoas serão encaminhadas para a unidade de saúde mais adequada.

Proteção: etiqueta respiratória

A forma como este novo coronavírus se transmite está ainda em investigação, mas sabe-se que a transmissão de pessoa para pessoa acontece. Mesmo que esta infeção não se registe em Portugal, Vítor Laerte aconselha alguns cuidados, porque “estamos num momento do ano em que estas infeções acontecem habitualmente”, dando como exemplo a gripe, “que tem muito impacto na população e também é transmitida por esta via, pelo que a etiqueta respiratória é aconselhável”. Entre estas regras contam-se:

  • Evitar contacto próximo com doentes com infeções respiratórias;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes;
  • Tapar o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, utilizando um lenço de papel ou o braço, nunca as mãos;
  •  Deitar fora os lenços de papel usados para espirrar, tossir ou assoar-se;
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir.

Em zonas geográficas afetadas, a OMS aconselha ainda evitar o contacto desprotegido com animais selvagens ou de quinta.