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AdvanceCare | O essencial sobre as intolerâncias alimentares

O essencial sobre as intolerâncias alimentares

Fala-se cada vez mais de alergias e intolerâncias aos alimentos, mas nem sempre é fácil perceber do que se trata exatamente. Explicamos-lhe o fundamental.

Nos últimos 15 anos os casos de alergias e intolerâncias alimentares duplicaram a nível mundial, o que justifica a preocupação com este tema. Mas, o que é exatamente uma intolerância alimentar?

“Fala-se em intolerância quando o organismo é incapaz de metabolizar algumas substâncias dos alimentos, o que pode acontecer devido a um défice das enzimas responsáveis pela sua digestão. Em geral, o problema está associado à absorção da lactose – o açúcar do leite, presente no leite de origem animal – e do glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, centeio, cevada, kamut e espelta”, explica Rita Talhas, nutricionista do Hospital Cuf Descobertas.

Além da deficiência enzimática pode haver outros tipos de intolerâncias como a conservantes alimentares (sulfitos, benzoato sódico e glutamato monosódico, por exemplo) ou a compostos naturalmente presentes nos alimentos, como a cafeína, os salicilatos, as aminas e o glutamato. Alimentos como os queijos curados, o vinho tinto e o chocolate, “por terem substâncias vasoconstritoras, podem provocar cefaleias, náuseas e tonturas em pessoas suscetíveis”, conclui.

Os sintomas mais comuns passam por distúrbios gastrointestinais, como diarreia e vómitos, dores nas articulações, edemas (inchaço), enxaquecas, mal-estar geral, fadiga e erupções cutâneas. “Se o alimento é consumido muito ocasionalmente, os sintomas podem ser imediatos ou ocorrer poucas horas depois. Mas se forem de consumo regular, pode não haver reação imediata e sim uma sintomatologia crónica”, explica a nutricionista.

O que fazer?

Elaborar um diário alimentar pormenorizado, registando simultaneamente os sintomas, é o ponto de partida para identificar os alimentos responsáveis pelo problema. Um dietista ou nutricionista pode orientar uma dieta de exclusão alimentar que, normalmente, dura duas a seis semanas.

Depois faz-se uma reintrodução progressiva de cada alimento de forma a chegar a um diagnóstico correto. Havendo intolerância, a solução passa usualmente por excluir ou diminuir a quantidade do alimento responsável, de forma a minimizar a incidência e intensidade dos sintomas. Em alguns casos de deficiência enzimática é possível usar suplementos de uma enzima produzida industrialmente para ajudar na digestão.
A boa notícia é que, por vezes, a intolerância alimentar é temporária. Algumas desaparecem depois de se abdicar do consume do alimento ou substância durante algum tempo. Em qualquer caso, é importante o acompanhamento de um nutricionista para evitar carências nutricionais que possam tornar-se graves.

Alergia ou intolerância?

A diferença é simples. Na alergia dá-se uma ativação do sistema imunitário em resposta a determinadas substâncias. Nas intolerâncias, na maior parte das vezes existe uma deficiência de algumas enzimas. Esta deficiência não permite a digestão de certo alimento ou causa apenas uma reação fisiológica que não provoca ativação do sistema imunitário (que é o que carateriza a alergia). As consequências também são diferentes: na alergia, sempre que se come o alimento, mesmo que em pouca quantidade, há uma reação – urticária, inchaço nos lábios, olhos e orelhas ou, em casos extremos, uma reação anafilática que pode levar à morte. Já a intolerância pode ter vários graus e, nalguns casos, os sintomas só se manifestam quando o consumo é elevado.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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